Notícia

A Gazeta (Cuiabá, MT)

Crise Mundial da água

Publicado em 20 março 2009

Por Jair Donato

A Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) criou desde 1993 o Dia Mundial da Água. É importante que neste dia, em 22 de março, como também nos demais, todos repensem sobre o uso e elimine o abuso desse bem finito e já escasso para mais de 1 bilhão de pessoas em todo o planeta. A previsão é que mais de 3 bilhões sofrerão com a escassez de água potável, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). A falta de água é uma crise que se torna global. O fato é que há um desastre ecológico e o uso irracional desse precioso líquido põe em risco a qualidade de vida do homem na Terra.

Foi instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU), o período de 2005 a 2015, como a década da Água, cujo objetivo é a redução da água pela metade, através do uso sustentável. Este é um momento crucial para os que têm privilégio de utilizar a água todos os dias. Pois a falta do planejamento em longo prazo e do uso racional e equilibrado dos recursos naturais coloca em risco a capacidade do homem de viver na Terra.

A água doce potável se esgota em muitas partes do planeta. Somente 2,5% de toda a água do globo terrestre é doce. E 99,7% dessa água estão inacessíveis nas geleiras e embaixo do solo, nos lençóis freáticos. Somente 0,03% desse percentual estão disponíveis para consumo, dos quais, 50% ficam em sete países, dentre eles o Brasil, com 3% da população mundial, e dispõe de um potencial hídrico de 12%, o maior do mundo. E é um dos países que mais desperdiçam esse recurso. Só o uso doméstico consome cerca de 10% do total.

Das águas superficiais brasileiras, 75% estão na Amazônia, maior região hidrográfica, dentre um total de doze mapeadas no País. E a água já é escassa em vários estados. O desmate e as queimadas sem planejamento se tornam principais causas para a seca. Mato Grosso é a terceira unidade federativa do País em extensão territorial, considerado o Estado das Águas, por abrigar nascentes importantes que formam rios das Bacias: Amazônica, Platina e Araguaia. No entanto, devido ao desequilibro ecológico, em parte por falta de gerenciamento eficaz dos recursos hídricos, muitas nascentes no Cerrado já secaram.

Outro fator importante é o tratamento adequado para o uso da água. O cientista irlandês Patrick Dunlop, que coordenou estudos sobre a água, disse no Brasil, em recente encontro sobre empreendedorismo e físico-química das mudanças climáticas, realizado pelo Programa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), que ocorrem mais de 4 bilhões de casos de diarréia no mundo, sendo 88% decorrentes de uso de água contaminada. Segundo dados da ONU, a cada 20 segundos morre uma criança vítima de más condições de saneamento.

Se os atuais padrões de consumo se mantiverem até 2025, duas em cada três pessoas no mundo vão sofrer escassez moderada ou grave de água, informa a Organização das Nações Unidas, que calcula a população mundial na casa dos 9 bilhões de pessoas por volta de 2050. Portanto, a água não é uma demanda local e deve ser tratada como um assunto que avança os limites geográficos, socioeconômicos e culturais. Devido ao fenômeno crescente das mudanças climáticas, áreas que já vêm sendo afetadas pela escassez de água tendem a sofrer com secas mais frequentes.

Enfim, o que pode ser feito? Nas empresas, programas simples para utilização racional da água podem contribuir. Contudo, a lição pode começar dentro de casa. Todos podem tomar um banho de consciência ecológica e fazer a diferença. Cerca de 75% da água que consumida em casa são gastos no banheiro. 32% do consumo doméstico de água vêm dos chuveiros, que gastam cerca de 20 litros por minuto.

Cada um pode ajudar ao tomar uma ducha rápida ao invés de ficar longo tempo no banho. Ligar o chuveiro somente para se molhar e retirar o sabonete do corpo é um ato racional. Uma pessoa chega a consumir mais de 300 litros por dia na realização das atividades cotidianas. Por exemplo, a cada copo de água que você toma, outros dois copos são gastos para lavá-lo.

Enfim, são tantos exemplos simples no cotidiano como a dona de casa que pode redimensionar o uso da água nas atividades do dia a dia. Evitar lavar pisos e calçadas com esguicho. Reutilizar na limpeza a água usada para lavar roupas. É certo que o consumo das gerações futuras depende do que for preservado agora. Água é vida, literalmente.

 

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com