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Agência Gestão CT&I

Crise apresenta oportunidades para pesquisa e desenvolvimento no Brasil

Publicado em 21 setembro 2015

A atual crise econômica pela qual o Brasil passa apresenta oportunidades para o desenvolvimento de produtos e áreas nas quais o País tem vantagens competitivas. E isso pode favorecer os investimentos internos em ciência e tecnologia, segundo avaliou o presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), José Goldemberg.

Em discurso durante o seminário “Saídas para a crise”, realizado na última semana, Goldemberg avaliou que a cotação do dólar em torno de R$ 2 no Brasil nos últimos anos desencorajou a produção local e levou a indústria nacional, que representava 18% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro há dez anos, diminuir sua participação para 9% atualmente porque até então era mais barato comprar produtos da China do que fabricá-los internamente.

O fato de a cotação da moeda norte-americana no Brasil ter subido nos últimos meses pode dar um novo impulso para o desenvolvimento de produtos e da ciência e tecnologia no país, estimou. “A ciência e tecnologia não dependem apenas de boas ideias, mas também da situação econômica do país. A subida do dólar, agora, é favorável para o desenvolvimento da ciência e tecnologia localmente”, avaliou.

O evento integrou uma campanha lançada no final de agosto pela seção paulista da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP), Fundação Padre Anchieta, Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo e o Instituto de Estudos Avançados (IEA) da Universidade de São Paulo (USP).O objetivo do debate era buscar alternativas para melhorar políticas públicas no país. As propostas resultantes da campanha serão encaminhadas aos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, e os debates realizados durante o seminário serão reunidos em um livro.

Na avaliação do dirigente da Fapesp, uma das áreas que o Brasil apresenta vantagens competitivas em relação a outros países é a de automóveis elétricos, já que o País tem grande disponibilidade de energia proveniente de hidrelétricas. “Como os combustíveis fósseis estão com prazo de validade limitado, por diversas razões – incluindo o aquecimento global –, não vão ser países que produzem eletricidade a partir do carvão que vão viabilizar os automóveis elétricos. Mas o Brasil pode fazer isso”, ponderou Goldemberg.

(Agência Gestão CT&I, com informações da Fapesp)