Notícia

Brasil Econômico

Criatividade nas cidades brasileiras

Publicado em 29 março 2012

Por Adolfo Menezes Melito

Como medir a criatividade? Considerando o modelo ampliado de economia criativa, onde a geração de valor percebido vem cada vez mais de produtos e serviços inovadores, onde o valor intelectual e abstrato supera o valor palpável da tecnologia, um índice de criatividade certamente deve refletir esse aspecto intangível. Ao longo dos últimos 20 anos foram muitas as tentativas de lançar índices que capturassem esse valor percebido. No cenário internacional, os destaques foram para o índice de inovação de corporações, capitaneado pela revista americana Business Week a partir de 2005 e o índice de criatividade de cidades e países, liderado pelo cientista político e doutor em planejamento urbano, Richard Florida, nos Estados Unidos, a partir de 2004.

O primeiro tem o mérito de capturar a percepção de empresários em todo o mundo e ser lastreado por resultados legítimos de geração de valor, validado por taxas de crescimento superiores às do mercado e consubstanciados em índices de produtividade que representam a maior aceitação de clientes e consumidores. Dois parâmetros de medição de valor se impõem: o valor de mercado dessas empresas e o valor intangível de suas marcas.

O segundo foi criativo em classificar cidades e países segundo três indicadores que são preponderantes em medição de criatividade em aglomerações humanas: os três "t"s": talentos, tecnologia e tolerância. No lançamento do Instituto da Economia Criativa em 2006, o doutor em demografia André Golgher, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), apresentou uma Proxy inédita desse índice no Brasil, mais tarde publicado pelo Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional de Minas Gerais (Cedeplar). A não relevância dos fatores "tecnologia" e a dispersão dos índices de tolerância não validaram o índice Florida para o Brasil.

No âmbito das empresas, iniciativas foram desenvolvidas por importantes organizações, tais como Índice de Intraempreendedorismo publicado pela revista Exame em 2006, Índice de Inovação com base na Pesquisa de Inovação Tecnológica do IBGE - Pintec, capitaneado pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e Fapesp, e os rankings de empresas mais inovadoras publicados por Monitor Group em 2009 e Revista Época Negócios, este último com o concurso da empresa A.T. Kearney. Esses dois últimos índices foram baseados em projetos inscritos pelas empresas participantes.

O assunto de ter indicadores precisos e de orientação de decisões governamentais foi amplamente explorado por especialistas e acadêmicos convidados pela Secretária de Economia Criativa, Cláudia Leitão, para compor o planejamento estratégico para o setor para o período 2011-2014, publicado em setembro de 2011. Num esforço inédito da Fecomercio-SP, o Conselho de Criatividade e Inovação apresenta hoje o primeiro índice de criatividade medido no contexto das 50 cidades brasileiras mais criativas. Além de ser o primeiro, o índice tem o mérito de ter sido criado intelectualmente no país, com estatísticas oficiais, considerando fatores objetivos no campo de talentos, geração de riquezas e qualidade de vida.

Adolfo Menezes Melito é Presidente do Conselho de Criatividade e Inovação da Fecomercio-SP