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Crianças que consomem alimentos ultraprocessados se tornam adultos mais obesos

Publicado em 07 julho 2021

Há algum tempo, a comunidade científica alerta a população sobre os riscos à saúde associados ao consumo de refrigerantes, biscoitos, balas e todo e qualquer produto alimentício baseado quase que unicamente em ingredientes industriais, os chamados ‘ultraprocessados’. Pela primeira vez, um estudo desenvolvido por pesquisadores do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde (Nupens) da USP, em parceria com o Imperial College London, no Reino Unido, avaliou o consumo de ultraprocessados a longo prazo, da infância até o início da vida adulta, e seu efeito nos indicadores de obesidade. 9.025 crianças britânicas de 7 anos foram estudadas até completarem 24 anos de idade. Os resultados mostraram que os indivíduos que consumiam mais ultraprocessados na infância tinham piores padrões de obesidade. 

A pesquisa inédita aponta que, quanto maior a participação dos ultraprocessados na dieta de crianças, maior e pior é o ganho de peso, e denuncia o papel definitivo desses produtos na infância para a formação de preferências e hábitos alimentares. A pesquisa teve o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). O artigo, publicado na revista médica Jama Network, no dia 14 deste mês, destaca a urgência de ações de saúde pública para regulamentação da publicidade e marketing na venda de ultraprocessados e da importância de instruir a população quanto aos seus riscos à saúde, para combater a crescente obesidade no mundo.

“Hoje, está claro que o consumo de ultraprocessados é o principal fator de piora da qualidade da alimentação, mas, até então não havia um estudo como esse, que permite avaliar a relação entre padrões alimentares baseados nesses produtos e obesidade desde a infância”, afirma Daniela Neri, nutricionista, pesquisadora de pós-doutorado do Nupens e coautora do estudo.

O grupo de 9.025 crianças nascidas na década de 1990, da cidade de Bristol, na Inglaterra, passou a ser estudado em 1991. Elas foram avaliadas por medidas antropométricas, como índice de massa corporal (IMC), índice de massa gorda (IMG), peso e circunferência da cintura, coletadas dos 7 aos 24 anos de idade, no intervalo de três anos por avaliação. Essas medidas possibilitaram avaliar a evolução do crescimento e da composição corporal, bem como o desenvolvimento de obesidade da infância até o início da vida adulta. 

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Fonte: Jornal da USP