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Agência USP de Notícias

Criação do INCT Inovação Farmacêutica é um marco para a área da Farmácia no País

Publicado em 27 novembro 2008

Agência USP de Notícias

Um marco para a área da Farmácia no Brasil. É assim que a professora Dulcinéia Saes Parra Abdalla, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP, define o Instituto Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação Farmacêutica (INCT_IF), da qual é vice-coordenadora. Sediado na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o INCT_IF reunirá cerca de 400 pesquisadores de todo o Brasil, atuantes em diferentes vertentes das Ciências Farmacêuticas, que estarão organizados em oito redes temáticas relacionadas à cadeia de inovação farmacêutica.

O INCT_IF é um dos integrantes do Programa Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia que foram anunciados nesta quinta (27), em Brasília, pelo ministro da Ciência e Tecnologia (MCT), Sergio Rezende, e pelo presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Marco Antônio Zago, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP.

O intuito do INCT_IF é desenvolver atividades de pesquisa, desenvolvimento e transferência de tecnologia; formação de recursos humanos, e difusão de conhecimento e de tecnologias na área de Ciências Farmacêuticas. De acordo com a professora, entre as motivações para a criação desse Instituto está a lacuna existente no Brasil na área de insumos para a saúde, em especial fármacos, medicamentos e produtos para diagnósticos, o que mostra a dependência externa do Brasil: esta área constitui o quarto item na pauta de importação do País. A professora lembra que “Existem várias políticas de Estado que consideram este tema estratégico e que visam implementar ações para superar a dependência externa do setor”.

O INCT_IF tem a coordenação do professor Ivan da Rocha Pitta, professor da UFPE. De acordo com a professora Dulcinéia, o Instituto vai desenvolver atividades ligadas a tópicos básicos como a descoberta de alvos terapêuticos e a síntese de novos fármacos, passando por desenvolvimento de fitoterápicos, novas formulações e formas farmacêuticas e insumos para diagnóstico e a transferência de tecnologia ao setor produtivo farmacêutico público e privado.

A professora conta que o INCT_IF irá contribuir para a formação de recursos humanos qualificados pela implantação de programas de pós-graduação em redes nacionais, incluindo as áreas de nanotecnologia farmacêutica e assistência farmacêutica. Além disto, haverá uma dimensão do Instituto voltada para a educação continuada dos profissionais farmacêuticos dos serviços de Saúde e um programa de educação da população na área farmacêutica, incluindo o uso racional de medicamentos.

As oito redes temáticas de pesquisa ligadas à cadeia de inovação farmacêutica que farão parte do INCT_IF são: Assistência Farmacêutica e Vigilância de Medicamentos; Avaliação da Atividade Biológica; Biotecnologia Farmacêutica; Nanotecnologia Farmacêutica; Produtos Naturais Bioativos; Síntese de Fármacos; Tecnologia Farmacêutica e Controle de Qualidade; e Toxicologia.

Assimetrias regionais

“A sede do Instituto será em Pernambuco porque uma das nossas metas é diminuir as assimetrias regionais em Ciência, Tecnologia e Inovação encontradas em nosso País”, aponta a professora Dulcinéia. De acordo com a vice-coordenadora, um terço dos pesquisadores que atuarão no INCT_IF são do Estado de São Paulo, sendo que a maior parte é da USP (campus de São Paulo — FCF — e de Ribeirão Preto — FCFRP). Há também a participação de pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) além de outras instituições de ensino superior (IES).

“No total temos no INCT_IF 409 pesquisadores, oriundos de 20 Estados e 50 IES das cinco regiões do País”, conta. “Haverá uma sede física no campus da UFPE. Nas outras IES também serão constituídos núcleos com estrutura física a ser implementada. A comunicação entre os núcleos e redes temáticas será tanto virtual como em reuniões presenciais dos pesquisadores”, esclarece. Segundo a professora, o valor a ser liberado pelo MCT é de cerca de R$ 7 milhões, mas fontes adicionais de recursos serão buscadas para as ações do INCT_IF.

Dezesseis estados brasileiros sediarão os 101 novos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia. Esses Institutos atuarão em rede com instituições por todo o País. Trata-se de uma iniciativa do MCT/CNPq que envolve o Ministério da Educação, por meio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de nível Superior (Capes), o Ministério da Saúde, a Petrobrás e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e têm a parceria de seis fundações estaduais de amparo à pesquisa: Amazonas (Fapeam), Pará (Fapespa), São Paulo (Fapesp), Minas Gerais (Fapemig), Rio de Janeiro (Faperj) e Santa Catarina (Fapesc). No total, os Institutos receberão recursos públicos da ordem de R$ 600 milhões.