Notícia

Jornal do Comércio (AM)

Criação de novos institutos vai facilitar pesquisas na Amazônia

Publicado em 21 janeiro 2009

Objetivo é aumentar quantidade e nível de cientistas na região

 

A criação das instituições, aprovada pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) em novembro do ano passado, faz parte do programa Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia que começa a ser implantado este ano pelo MCT (Ministério da Ciência e Tecnologia).

O programa prevê a criação de 101 novos institutos de pesquisa em todo o país. Os recursos virão de uma parceria entre as fundações estaduais de apoio à pesquisa do Amazonas (Fapeam), Pará (Fapespa), São Paulo (Fapesp), Minas Gerais (Fapemig), Rio de Janeiro (Faperj) e Santa Catarina (Fapesc), junto com o Ministério da Saúde e BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Para todo o projeto (101 institutos) serão destinados aporte de R$ 600 milhões.

No caso da região amazônica, o fato é que as novas instituições quadruplicarão a quantidade de institutos que atualmente produzem ciência na maior floresta tropical do mundo, a qual representa 60% do território brasileiro, possui cerca de 25 milhões de habitantes, mas representa menos de 8% do PIB (Produto Interno Bruto) do país.

O programa prevê gastar R$ 42 milhões para a instalação dos oito novos institutos na região, o que deve acontecer dentro de cinco anos. Entre os projetos aprovados pelo CNPq para a região amazônica, quatro estarão subordinados ao Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), em Manaus.

Os outros serão criados no Pará pelo Museu Emílio Goeldi, UFPA (Universidade Federal do Pará) e IEC (Instituto Evandro Chagas), todos com sede em Belém.

A criação dos institutos vem ao encontro de antigas reivindicações dos cientistas que trabalham na Amazônia. Estima-se que de um total de 70 mil doutores que agem em todo o Brasil, menos de 3.000 estejam na região amazônica.

"A base instalada ainda é muito pequena. Atualmente, nós temos apenas três institutos de pesquisas atuando na Amazônia: o Inpa, o Museu Goeldi e o Instituto Mamirauá (Tefé/AM). Somando estes três, não dá mais do que 250 doutores. E desses 3.000 doutores do total, cerca de 1,5 mil têm mais de 50 anos de idade", explicou Adalberto Luis Val, diretor do Inpa. "Nós precisamos fortalecer a pesquisa no interior, principalmente nos dois maiores Estados da região, Amazonas e Pará".