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JC Notícias

Cresce a desigualdade de renda no Brasil

Publicado em 30 setembro 2019

Aumento do trabalho informal e menos protegido desde 2016, com consequente redução do recebimento de rendimentos eventuais, como férias e décimo terceiro, são alguns dos fatores que explicam esse crescimento, mostra pesquisa do Centro de Estudos da Metrópole, que analisou dados do IBGE sobre emprego e renda de 2012 a 2019

Pesquisa do Centro de Estudos da Metrópole (CEM-Cepid/Fapesp) mostra que as diferenças de renda aumentaram entre os que estão na base e no topo da pirâmide dos ganhos e explica as razões para esse crescimento. O trabalho é de Rogério Jerônimo Barbosa, pós-doutorando do CEM, e revela como o desemprego, o desalento – quando a pessoa desiste de procurar emprego – e a informalidade afetaram a desigualdade. Os resultados parciais foram divulgados na última edição do Boletim Mercado de Trabalho – Conjuntura e Análise do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA).

Para este estudo, Barbosa considera dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD Contínua (2012-atual), feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A série anual da PNAD (1976-2015) apenas captava a chamada “renda habitual” do trabalho, que consiste dos vencimentos básicos ou médios. Já a PNAD Contínua passou a captar também o que denominou de “renda efetiva”, que inclui adicionais eventuais (como 13º, adicionais por férias, horas extras, abonos, comissões, participação nos lucros etc.), além de descontos (devido a faltas, atrasos etc.).

Segundo Barbosa, os efeitos de curto prazo associados ao período de recessão são mais bem captados pela renda efetiva. Os adicionais esporadicamente recebidos, por estarem tipicamente associados aos postos formais, são, na realidade, bastante regulares e orientam o comportamento de consumo e poupança dos indivíduos e famílias. Tais quantias podem servir para a aquisição de bens duráveis, para investimentos específicos (inclusive em capital humano) ou mesmo quitação de dívidas, trazendo consequências duradouras para os indivíduos e a economia, de forma geral.

Leia na íntegra: Jornal da USP