Notícia

Gazeta Mercantil

Crédito para provedor da rede

Publicado em 21 agosto 1995

Por por Lídia Rebouças - de São Paulo
A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) está decidida a acelerar o processo de criação de empresas provedoras de serviço e informação na Internet. Em menos de um mês a agência abrirá uma nova linha de créditos direcionada para empresas interessadas em atuar no mercado da rede mundial de computadores. O primeiro esboço do programa foi lançado durante a Comdex, na semana passada, e prevê a dotação de US$ 15 milhões a US$ 20 milhões para o primeiro ano. "A intenção é atender cerca de trezentas empresas", explica o diretor da Finep. Hugo Júlio Rodrigues. Ele adianta que as condições de financiamento devem seguir o perfil das outras linhas de financiamento da Finep, com um prazo de amortização de 36 meses, sendo 12 de carência, e juros de 6% ao ano mais o índice da TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo). O financiamento, que também beneficia pessoas físicas, é destinado a compra de equipamentos, treinamento, capacitação tecnológica e serviços de consultoria. Rodrigues acredita que os maiores interessados serão os provedores de informações, serviços e profissionais de computação gráfica e programação visual. O programa pretende beneficiar desde micro e pequenas empresas até grandes corporações que provavelmente deverão entrar neste mercado como provedoras de acesso, categoria de negócio que envolve altos investimentos. "A idéia é pulverizar o mercado", disse Rodrigues. ALTA PROCURA A Rede Nacional de Pesquisa, órgão governamental que coordena a Internet no Brasil, tem recebido muitas consultas de empresários que desejam ser provedores de acesso ou fornecer serviços e informações através da rede. Durante a realização da Comdex, o estande montado pela RNP foi visitado por milhares de pessoas que desejavam obter informações de como explorar o serviço, assim como usuários finais que realizavam a sua primeira experiência de consulta à rede. Sônia Tilkian, da RNP, concorda que a natureza do negócio é bastante complicada, principalmente no gerenciamento comercial da rede. Ela explica que para se estabelecer como um provedor de acesso é preciso garantir uma infra-estrutura básica de operação. O provedor deve alugar os serviços de comunicação e conexão oferecidos por uma empresa concessionária de telecomunicações linhas de comunicação de dados ou mesmo redes metropolitanas - que permitem a sua conexão à rede. O acesso só é eficiente se a conexão é feita a 64K (kilobites por segundo), velocidade que garante o acesso de vários clientes à rede. Dependendo da empresa que aluga a rede de comunicação, Embratel ou telefônicas estaduais, o custo mensal de uma conexão pode variar entre R$ 1,3 mil e R$ 3 mil. A taxa da instalação desta conexão tem acompanhado a da assinatura, e é estimada em R$ 2 mil. Além disso, o provedor de acesso precisa instalar um roteador, equipamento que recebe e distribui todas as consultas à rede - como um gerente de tráfego -, que tem o custo estimado de R$ 3,5 mil. Outro equipamento necessário é um computador de grande porte, chamado de servidor, onde se armazenam os serviços e informações oferecidos, contas e endereços dos usuários. A potência de memória, disco e velocidade de processamento depende do leque de serviços oferecidos e total de usuários que acessam simultaneamente a rede. Um servidor de porte médio, do tipo Unix, tem o preço médio de R$ 12 mil. "O empreendedor deve conhecer bem a engenharia de redes, sistemas operacionais, além dos padrões técnicos necessários para a administração de serviços e aplicações Internet", explica Sônia. O investimento necessário para ser um provedor de informação, atividade que envolve a coleta, manutenção e organização de informações on-line utilizando recursos multimídia (sons, imagens, animação, gráficos) é bastante variável. O custo do empreendimento, que envolve atividades ligadas à computação gráfica e programação visual, depende do volume e natureza das informações que são disponibilizadas na rede, assim como da intensidade de acesso. Para colocar o seu produto na rede, o provedor de informação pode se conectar a um provedor de acesso, através de uma linha de 64K, ou investir em toda a infra-estrutura para gerenciar as duas modalidades do negócio.