Notícia

Jornal Floripa

Crédito à inovação em SP tem inscrições abertas até terça (3)

Publicado em 31 outubro 2015

Com edital aberto até a próxima terça-feira (3) para inscrições na quarta e última seleção deste ano, o Pipe (Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas), da Fapesp, deve bater recorde de aprovações em 2015.

Até agora, foram selecionados 108 projetos. Em todo o ano de 2014, foram 115 aprovações e cerca de R$ 24 milhões em investimentos.

Balões informativos da empresa Altave que estão sendo desenvolvidos com ajuda do projeto Pipe

Criado em 1997, o Pipe oferece até R$ 2,2 milhões em investimentos para projetos de inovação de empresas paulistas com até 250 funcionários. Ele já apoiou 1.373 projetos, com R$ 279,2 milhões.

Os desembolsos são liberados em três fases de desenvolvimento das iniciativas, que vão da pesquisa de viabilidade à entrada no mercado. A empresa não precisa devolver os recursos recebidos.

Em geral, 1 em 3 projetos submetidos para o programa é aprovado, segundo Fabio Kon, membro da coordenação-adjunta de Pesquisa para a Inovação da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).

Kon diz que o número de companhias apoiadas anualmente ainda está muito abaixo do potencial do programa. Faltam mais projetos, afirma.

"Atualmente, 100% dos bons projetos são aprovados. Em 2014, a Fapesp investiu R$ 1,1 bilhão no total, a maior parte em projetos universitários. Queremos aumentar a colaboração entre pesquisadores e empresas."

Ele afirma que não é preciso ter um acadêmico na empresa, mas é interessante ter profissional com experiência em pesquisas, o que ajuda desde a redação do projeto.

VOANDO

Uma das empresas que começam a ter resultados comerciais após o apoio do Pipe é a Altave, especializada no desenvolvimento de aeróstatos, equipamentos aeronáuticos mais leves do que o ar.

Criada em 2011 por Bruno Avena e Leonardo Nogueira, a empresa teve apoio da Fapesp no ano de sua abertura.

Em 2015, a companhia venceu licitação para oferecer quatro balões para a Secretaria Extraordinária de Segurança para Grandes Eventos, do Ministério da Justiça.

Amarrados a uma base fixa, com capacidade de subir até 300 metros e equipados com câmeras, os balões serão usados pela Polícia Militar durante a Olimpíada do Rio de Janeiro, em 2016.

Avena afirma que, desde o segundo ano de sua graduação no ITA (Instituto de Tecnologia Aeronáutica), concluída em 2010, ele analisava editais que pudessem viabilizar suas pesquisas.

"A gente queria entrar no setor aeronáutico de forma inovadora. Tínhamos um grupo de discussão em que olhávamos todos os programas de fomento para vermos onde nos encaixávamos."

Mesmo sem cobrar juros, o Pipe busca ser um programa que dá retorno ao Estado.

Estudo realizado na Unicamp em 2011 e que analisou 62 empresas que haviam participado do Pipe entre 1997 e 2006 indicou que, à época, o investimento anual no programa era equivalente à receita que ele gerava.

No caso da Altave, o contrato com o Ministério da Justiça levou a um recolhimento de R$ 800 mil em ICMS —mais da metade do que a companhia obteve pelo Pipe.