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Brasil Econômico

Cray fatura US$ 325 mi com supercomputadores

Publicado em 25 outubro 2010

Por Martha San Juan França

Ao fim de dezembro, a Cray, fabricante americana de supercomputadores, deve registrar vendas de US$ 325 milhões. Este resultado deve ocorrer pela chegada dos novos clientes e pela necessidade recente de governos e instituições científicas de todo mundo de investir em previsões ligadas às ciências da terra, bioinformática, química e dinâmica molecular. Cerca de 30% das vendas da companhia ocorrem fora dos Estados Unidos. E o Brasil contribuirá para o resultado com US$ 20 milhões.

Esse foi o valor pago pelo Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) de Cachoeira Paulista, interior de São Paulo, pelo seu novo supercomputador, o Cray XT6, que fará com que essa unidade do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), amplie em mais de 50 vezes a sua capacidade de processamento, gerando previsões de tempo mais confiáveis, com maior antecedência e melhor qualidade. O valor, que equivale a R$ 50 milhões, foi financiado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia e pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo.

Ele representa 7% do faturamento de US$ 305 milhões em 2009 da Cray. Além do Brasil, nesse ano, a empresa ainda assinou contrato de fornecimento de máquinas com institutos de previsão meteorológica e climática da Coreia do Sul e da Finlândia. No Brasil, a Cray venceu a proposta da concorrente japonesa Nec, que vendeu os três equipamentos anteriores.

Trata-se de um ótimo resultado, dentro do competitivo mercado de supercomputadores. A cada ano surgem novos e mais velozes produtos. Em contrapartida, novos clientes são relativamente raros. Em uma declaração para os acionistas, o presidente da empresa, Peter Ungaro, afirmou que espera exportar seis vezes mais sistemas de computação este ano do que em 2009.

Os mais velozes

Nos Estados Unidos, a empresa voltou recentemente ao topo de linha dos supercomputadores mais rápidos do mundo com o Jaguar, instalado no Departamento de Energia, que alcançou a velocidade de 1,75 petaflop por segundo (mais de 1 quatrilhão de cálculos por segundo, ou seja, 1 petaflop). Esta agilidade equivale a dizer que em um dia o supercomputador faz a mesma quantidade de cálculos de 6,5 bilhões de pessoas usando calculadoras durante 24 horas por dia, 7 dias por semana durante 46 anos. Logo atrás vem o Centro de Supercomputação da China, cujo supercomputador da Intel alcança a velocidade de 1,271 petaflop.

O desempenho teórico máximo do novo supercomputador do Inpe é de 244 teraflops (trilhões de operações) por segundo, muito acima do anterior, de 15,8 teraflops. Segundo Luiz Augusto Toledo Machado, coordenador do CPTEC, "não se trata apenas de ganhar mais velocidade no processamento, mas de migrar para uma nova arquitetura computacional". Para ter o novo equipamento, o CPTEC precisou executar obras em suas instalações, além da adaptação dos códigos de programação, o que exige tempo antes que ele comece a operar. Machado estima que o supercomputador deve funcionar parcialmente no final do ano e rodará modelos climáticos no início de 2011 com plena capacidade.

O objetivo do Inpe é melhorar a qualidade dos dados e impulsionar a pesquisa nacional em clima. As previsões de tempo também serão mais confiáveis e com maior prazo, ampliando o nível de detalhamento para 10 quilômetros, ou seja, será possível prever o tempo por bairros de uma cidade, em um prazo de até dez dias. Será possível ainda fazer diversas simulações de mudanças de cenário no uso da terra, da qualidade do ar, nível de dióxido de carbono e como essas informações impactam o clima. "Com esta nova máquina, mudam a resolução das imagens, o tempo para apuração dos dados e a precisão das informações", diz. "É como se o Inpe tivesse adquirido uma Ferrari."