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C&P participa de Encontro Técnico sobre Tecnologias para Saneamento Básico e Ambiental

Publicado em 25 maio 2015

25/05/2015 – O III Encontro Técnico SINDESAM  – Tecnologias para Saneamento Básico e Ambiental, organizado pelo Portal Tratamento de Água, aconteceu nos dias 13 e 14 de maio, na sede da Associação Brasileira de Indústria de Maquinas e Equipamentos (Abimaq), em São Paulo. O encontro reuniu profissionais do setor para debater o tema “Retrofitting em Busca da Eficiência”.

O Congresso teve como objetivo apresentar o SINDESAM (Sistema Nacional das Indústrias de Equipamentos para Saneamento Básico e Ambiental) e os projetos realizados pelas empresas parceiras a respeito do tema central. O evento  propiciou aos presentes discussões, debates, trocas de informação e experiência sobre a origem das tecnologias utilizadas e dos procedimentos para ampliação, melhorias, reformas, redução de custos operacionais e atualizações de sistemas existentes na área de saneamento básico e ambiental.

O primeiro dia do Fórum contou com a presença de oito empresas. No período da manhã, o diretor do Grupo Consulgal, Francisco de Mariz Machado, apresentou a experiência de Portugal em infraestrutura e saneamento básico. Hoje, o País, que também é exemplo na área de resíduos sólidos, conta com 95% da população abastecida com água de qualidade, com pressão adequada e certificada em laboratório; e 80% dos habitantes têm coleta e tratamento de esgoto. . Em seguida, a TreeBio Soluções Ambientais, por meio dos palestrantes Sérgio Roberto Ceccato e Alex Venegas, abordou os aspectos de reabilitação de sistemas.

A empresa Alfa Laval destacou o tema tecnologias de membranas filtrantes e de desaguamento de lodos para Retrofitting de plantas existentes com objetivo de reúso. O assunto foi comentado pelo gerente Comercial da empresa, Tales Gryga. Retrofitting também foi o tema da WesTech. O Engenheiro de Processos Antonio Accioly e o Consultor de Negócios Wanderlei Tito Teixeira abordaram o sobre as estações de tratamento de água para aumento da capacidade de reúso.

No período da tarde, a Xylem, representada pelo gerente de tratamento de águas e efluentes, Paulo Bon, comentou sobre a tecnologia ICEAS (Intermitent Cycle Extended Aeration System) – o sistema melhora a qualidade dos efluentes tratados com menor custo operacional. Na sequência, o Coordenador de Vendas da Vibropac Leonardo Ruiz disseminou sobre a readequação do pré-tratamento. Segundo Ruiz, é preciso aumentar a capacidade de tratamento preliminar existente nas Estações de Tratamento de Esgoto e a recepção de efluentes do caminhão-fossa. A Centroprojekt do Brasil ressaltou os processos de implantação de ultrafiltração para água potável no Brasil. A representante química de processos Anna Carolina Raposo Coutinho, presentante quaços e Extended Aeration System).   e o Diretor Técnico Mauro Coutinho explanaram a respeito das diferenças das tecnologias utilizadas em uma Estação de Tratamento de Água Convencional e de ultrafiltração. Para finalizar as apresentações técnicas, a Hydrus ressaltou os temas capacitação e os benefícios de água e esgoto para a saúde humana.

A mesa redonda do dia 13 de maio teve por finalidade debater sobre a situação do mercado, novas tendências, oportunidades e impactos das crises hídrica e energética no setor de saneamento básico. Na primeira apresentação, o Governador Suplente do Conselho Mundial da Água, Giancarlo Gerli falou sobre a importância do Fórum Mundial da Água, que teve sua 7ª edição realizada em abril passado, na Coreia, nas cidades de Daegu e Gyeongbuk, sob o tema “Água para o nosso futuro”. O diretor ressaltou, também, a importância do evento que acontecerá no Brasil, em março de 2018, em Brasília, com o tema “Compartilhando Água”. Gerli informou que no documento elaborado ao final do VII Fórum, as Américas reforçaram, em sua contribuição, os aspectos “água e saneamento para todos”, “água e alimentação”, “água e energia”, “adaptação às mudanças climáticas” – considerando a gestão de risco e a gestão dos ecossistemas, além da governança para o financiamento e para a sustentabilidade.

O segundo palestrante, Johnny Ferreira dos Santos, representante do Ministério das Cidades, lembrou as conquistas do setor de saneamento, na última década, como a lei do saneamento em 2007, a lei das PPPs e a Política Nacional de Resíduos Sólidos, além da aprovação do Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab), no final de 2013. O Plansab tem como metas universalizar o abastecimento de água até 2023 – hoje 93% dos domicílios urbanos já contam com abastecimento de água, e elevar para 93% a parte de coleta e tratamento do esgoto nos domicílios urbanos – o índice de coleta, hoje, está na ordem de 63% e se trata 70% em cima do volume coletado. Para Santos, o setor de saneamento apresenta enorme potencialidade no aspecto ganho de eficiência – “dados do SNIS de 2004 a 2013 mostram que a receita operacional direta do setor cresceu 50%, uma média anual de crescimento de 4,3% e que pode chegar a 7,5% ao ano”. Como desafios, o representante do Ministério listou a necessidade de regulação do setor – “vários dispositivos da legislação ainda se encontram em fase de implementação”, afirmou. Ele também destacou o controle dos gastos públicos; a melhoria da qualidade e eficiência na prestação dos serviços; o desenvolvimento da cadeia produtiva do setor de saneamento, no que diz respeito a projetos e consultoria, execução de obras e prestação de serviços; além do controle de perdas.

Já o Gerente de Operações de Esgoto da Sanasa, Renato Rosseto, salientou que a crise da água trouxe grandes oportunidades de Retrofitting. Em 2012, entrou em operação a EPAR – Estação Produtora de Água de Reúso, que utiliza a tecnologia de membranas filtrantes. Quando esse projeto teve início, em 2009, era novidade a utilização de membranas filtrantes para tratamento de esgoto urbano na capacidade de 360 l/seg. Apesar das discussões, na época, sobre a eficácia e viabilidade do projeto, a Sanasa decidiu apostar em uma tecnologia mais moderna, que garantisse maior remoção de poluentes.

“Os projetos atuais das novas ETEs devem levar em conta processos que garantam a remoção de nitrogênio e fósforo, além de uma boa desinfecção, o que se consegue por meio de membranas filtrantes que ainda são importadas, caras, mas que logo devem começar a ser fabricadas no Brasil”, considera Rossetto.

Encerrando as apresentações do painel, o presidente da ABES seção SP, Alceu Bittencourt, informou que a ABES constituiu uma Câmara Técnica de Recursos Hídricos, organizada juntamente com um grupo técnico, para discutir as soluções para o panorama de escassez hídrica que se apresenta. “Durante a realização do VII Fórum Mundial da Água, a entidade nacional enfatizou, em sua apresentação, que a crise – em seu caráter inédito em termos de severidade da falta de chuvas e de vazões afluentes aos mananciais – traz um novo padrão de dimensionamento de estruturas maiores para atender às mesmas demandas de água, o que sem dúvida a tornará mais cara”, ressalta Bittencourt. Entre outras consequências, a crise aumenta a atratividade econômica de soluções alternativas de toda ordem, como economizadoras, de controle de perdas, estímulo ao uso racional de consumo e de reúso a partir de sistemas de tratamento de efluentes.  Também se coloca toda uma agenda de modernização e atualização de tecnologias para recuperação da maior parte das ETEs e ainda a ampliação do tratamento de esgotos como forma de melhorar a qualidade de água dos corpos hídricos.

A programação do segundo dia contou com as apresentações das empresas Pöyry (Perspectivas e Tendências do Setor de Papel e Celulose, apresentado pelo gerente de meio ambiente e sustentabilidade, Romualdo Hirata); Andritz, que destacou o tema “Aproveitamento sustentável de energia na planta de secagem de lodo municipal de Istambul, na Turquia”, comandada pelo Gerente Comercial de sistemas térmicos Armando Costa Ribeiro; a UPE, que também retratou o Retrofit nas plantas de tratamento de águas residuais com tecnologia em MBBR – o diretor de desenvolvimento de Negócios Reginaldo Sanches e o Business Manager Guy Gadot discorreram sobre a capacidade do meio ambiente diante do tema. Na sequência, a empresa Schneider Eletric destacou a importância da otimização e modernização de estações de captação de água bruta – a palestra foi ministrada pelo Account Manager da empresa Glauco Montagna. Já a Prominas abordou o desenvolvimento de sistemas para pré-tratamento de efluentes,  por meio da apresentação  das dificuldades do tratamento preliminar de esgoto nas ETEs.

“É preciso elaborar um projeto, ter qualificação operacional e entender as características do esgoto, principalmente, a natureza e a quantidade de sólidos envolvidos” concluiu Mendonça.

No horário vespertino, o gerente de aplicação e otimização da Veolia, Luiz Manoel Abrahão, relatou o aumento da capacidade das ETAs com utilização de tecnologia Actiflo. Para o Gerente de Vendas e Produtos da Atlas Copco, Ricardo Brandão, o tema do Fórum está associado à otimização de sistemas de aeração. A empresa apresentou os principais problemas do retrofitting e da eficiência do tratamento ao utilizar a tecnologia de membranas.

A empresa Pieralisi abordou a modernização de sistemas existentes de desaguamento de lodos com a utilização de decanter centrífugo, além dos estudos de caso. A palestra foi orientada pelo representante técnico e comercial Rafael Chatagnier e  pelo consultor de processos e manutenção Eduardo Ferreira Costa. Finalizando a rodada de encontros técnicos, a representante de desenvolvimento de processos e novas tecnologias, Daniella Telles, da Ecosan, explanou a respeito do uso da tecnologia MBR com membranas de cerâmica para o retrofit de sistemas aeróbicos e anaeróbicos. Segundo Daniella, uma das vantagens da utilização da tecnologia é que o efluente propicia reúso, além de ser compacto.

Encerrando o encontro, houve o debate de mesmo tema da tarde anterior, porém sobre o setor industrial. Estiveram presentes o Consulto Sênior da Petrobras, Eduardo Torres; o Gerente de qualidade e meio ambiente do Grupo Suzano, Ricardo de Aguiar Quadros; o coordenador de inovação da FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), Lúcio Agnes; e o representante da área industrial do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Luiz Daniel Wilcox de Souza.

O III Encontro Técnico Sindesam – Tecnologias para Saneamento Básico e Ambiental teve patrocínio da Caixa Econômica Federal, Koch Membrane Systems, Veolia, ADI Systems, Suez Environnement, Prominas e Grupo Pieralisi; e o apoio institucional da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), Associação Brasileira de Empresas de Consultoria e Serviços em Saneamento e Meio Ambiente (ABES-SP), AIDIS, Conselho Regional de Química – IV Região (CRQ – IV), Centro Internacional de Referência de Reuso de Água (CIPRA / IRCWR), Petrobras, Associação dos Engenheiros da Sabesp (Aesabesp), HIRIA, Trata Brasil – Saneamento é saúde, Associação dos Engenheiros e Especialistas da CETESB em Meio Ambiente (ASEC), BNDES, Pollutec Brasil, Pöry e CONSULGAL.

Sobre o Portal Tratamento de Água

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