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'Covid é uma doença sistêmica'

Publicado em 28 agosto 2020

Estudo apoiado pela Fapesp aponta que a Covid é mais do que infecção de vias respiratórias e se revela doença sistêmica

Inicialmente considerada infecção de vias respiratórias, a Covid-19 tem se revelado uma doença sistêmica, que pode estar associada a distúrbios gastrointestinais, hepáticos, cardiovasculares e neurológicos, podendo evoluir para síndrome respiratória aguda, falência de múltiplos órgãos e até ao óbito.

A constatação foi feita em artigo publicado na plataforma medRxiv. O estudo analisa resultados de exames laboratoriais de quase 179 mil pessoas testadas para Covid-19 no Brasil, sendo 33,2 mil delas com diagnóstico confirmado.

Apoiado pela Fapesp (Fundação de Apoio à Pesquisa de São Paulo), a análise de um grupo de pesquisadores identificou diferentes perfis clínicos da doença que são influenciados pelo sexo e pela idade do paciente, bem como pela gravidade do quadro.

"O vírus pode desencadear um amplo espectro de manifestações clínicas, variando de doença assintomática ou leve a doença grave e morte", disse à Agência Fapesp o pesquisador Helder Nakaya, professor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo.

"Os parâmetros laboratoriais também variam muito de acordo com a idade e o sexo do paciente e, muitas vezes, os médicos têm dificuldade para interpretar os resultados dos exames e identificar uma alteração significativa."

Por métodos de bioinformática, o grupo coordenado por Nakaya analisou mais de 200 parâmetros laboratoriais dos milhares de pacientes da amostra. Os resultados apontaram que a Covid-19 se trata de um problema complexo.

"Tais manifestações extrapulmonares estão associadas a alterações nos níveis circulantes de diversos parâmetros bioquímicos. E ainda pouco se sabe sobre a influência do sexo e da idade do paciente no padrão desses parâmetros", disse o médico Bruno Andrade, pesquisador da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) em Salvador (BA) e coautor do artigo.

PERFIL.

Os estudos indicam que idosos homens são os que apresentam maior risco de evoluir para quadros graves.

Em pessoas de 13 a 60 anos, se mostrou associada a alteração em diversos parâmetros laboratoriais de maneira muito mais frequente em homens do que em mulheres.

Acima de 60 anos, de acordo com os dados da pesquisa, as alterações laboratoriais parecem ter afetado igualmente homens e mulheres..