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Correio Popular (Campinas, SP)

Covid-19 pode infectar os neurônios (1 notícias)

Publicado em 03 de maio de 2020

Por Da redação

Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) confirmaram, por meio de experimentos feitos com cultura de células, que o novo coronavírus, causador da doença Covid-19, é capaz de infectar neurônios humanos. A infecção e o aumento da carga viral nas células nervosas foram confirmados pela técnica de PCR em tempo real, a mesma usada no diagnóstico da enfermidade em laboratórios de referência.

O grupo coordenado pelo professor do Instituto de Biologia Daniel Martins-de-Souza também confirmou que os neurônios expressam a proteína ACE-2 (enzima conversora de angiotensina 2, na sigla em inglês), molécula à qual o vírus se conecta para invadir as células humanas. Nos próximos dias, a equipe pretende investigar de que modo o funcionamento dessas células nervosas é alterado pela infecção.

O estudo está sendo conduzido no âmbito de um projeto aprovado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) na chamada “Suplementos de Rápida Implementação contra COVID-19”, como parte de uma força-tarefa criada pela Unicamp. “Vamos comparar as proteínas e demais metabólitos presentes nas culturas celulares antes e após a infecção.

A ideia é observar como o padrão das moléculas muda e, com base nessa informação, tentar contar a história de como o vírus atua no sistema nervoso central”, explicou Martins de Souza à Agência Fapesp. Metodologia No experimento, realizado pela pós-doutoranda Fernanda Crunfli, foram usados uma linhagem celular cerebral humana e também neurônios humanos obtidos a partir de células-tronco pluripotentes induzidas (IPS, na sigla em inglês). O método consiste, inicialmente, em reprogramar células adultas — que podem ser provenientes da pele ou de outro tecido de fácil acesso — para fazê-las assumir estágio de pluripotência semelhante ao de células-tronco embrionárias.

A primeira parte foi realizada no laboratório do professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Stevens Rehen, no Instituto DOR de Pesquisa e Ensino. Em seguida, o time de Martins- de-Souza induziu, por meio de estímulos químicos, as células IPS a se diferenciarem em células-tronco neurais — um tipo de célula progenitora que pode dar origem a diversas células do cérebro, como neurônios, astrócitos e oligodendrócitos. “Também estamos começando testes com astrócitos humanos e, em breve, saberemos se o vírus infecta essas células, que dão suporte ao funcionamento dos neurônios e são as mais abundantes do sistema nervoso central”, salienta Martins-de-Souza. (Portal do Governo/SP)