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Covid-19: Ministério lança aplicativo que recomenda uso de medicações sem comprovação

Publicado em 14 janeiro 2021

Máscaras devem ser usadas mesmo após pessoa ser vacinada contra Covid-19

O Brasil tem assistido outros países do mundo aprovarem e darem início à vacinação emergencial de suas populações contra a Covid-19. É fato que não há data definida para o início da imunização por aqui, mas nunca se esteve tão próximo disso. O que muita gente não sabe, e até se engana em relação ao assunto, é que com a vacinação em curso os cuidados e o uso de máscaras serão deixados de lado. O imunologista baiano Gustavo Cabral explica que mesmo depois de vacinadas as pessoas podem transmitir o vírus e por isso o EPI e a prática de distanciamento e higiene das mãos com rigor devem se manter durante todo 2021. Isso porquê as vacinas protegem contra a Covid-19, e não contra o coronavírus. Os imunizantes reduzem a carga viral e evitam que os casos evoluam para graves, com a necessidade de hospitalização e UTI. Cabral é baiano nascido em Tucano, graduado em Ciências Biológicas pela Universidade do Estado da Bahia (Uneb), mestre em imunologia na Universidade Federal da Bahia (Ufba), doutor pela USP e pós-doutor em Oxford, na Inglaterra, e em Berna, na Suíça, onde estudou imunologia aplicada à vacina. Atualmente ele é pesquisador da Fapesp, onde vem estudando sobre vacinas contra Covid-19 e outras doenças. O cientista reforça a confiabilidade e eficácia das vacinas. E explica que as da Covid-19 que estão sendo aplicadas por alguns países seguem sendo analisadas por toda a comunidade científica. Um fato destacado por ele para tranquilizar a população é de que até o momento milhares de pessoas já receberam doses em vários países e não há nenhum registro de reação adversa grave. “A análise continua até que se tenha o licenciamento, se houver qualquer problema, qualquer um desses órgãos impedem imediatamente a vacina ou qualquer medicamento”, explicou ao citar como exemplo a Anvisa e o FDA, que é a agência regulatória de medicamentos dos Estados Unidos. Cabral diferenciou as técnicas usadas pelos laboratórios para desenvolverem as vacinas que estão no plano de aquisição do Ministério da Saúde. Ele explicou que a tecnologia mais conhecida é a da Sinovac com o Instituto Butantan, que juntos desenvolveram a Coronavac. Esse imunizante utiliza o vírus desativado, uma técnica já disseminada e utilizada em todo o mundo. “É uma vacina que é de ‘vírus morto’, uma estratégia bem conhecida e já utilizada para várias outras vacina, por exemplo a da gripe que a gente toma todo ano, a da raiva, a da hepatite A”, disse o imunologista, ao acrescentar que ela tem limitações, mas que é eficiente e adaptável ao programa de imunização do Brasil. Quanto à vacina que usa o chamado RNA mensageiro, que é o caso da candidata da Pfizer, ele explica que a tecnologia é inovadora e ainda não existe em nenhum imunizante previamente licenciado para uso humano. “Então tem um cuidado diferente porque a gente não pode prever completamente os efeitos colaterais a longo prazo. A curto e médio prazo ela tem se comportado bem. Isso não nos dá medo, mas ficamos em alerta”, sinalizou. Durante a entrevista, Gustavo Cabral ainda comentou sobre a condução e gestão da crise sanitária pelo governo brasileiro; o rigor científico e respostas da comunidade científica ao erro de dosagem da vacina de Oxford/Astrazeneca; a infraestrutura do Brasil para a vacinação; e a possibilidade de agravamento da crise por causa da corrida dos municípios e do setor privado pela aquisição de vacinas.

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