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Covid-19: Juazeiro do Norte e Sobral têm maior proporção da população já infectada do País

Publicado em 16 setembro 2020

Os dados são da maior pesquisa epidemiológica sobre a Covid-19 no Brasil e foram divulgados nesta semana

Os municípios de Juazeiro do Norte, no Cariri, e Sobral, na região Norte, apresentam a maior proporção de pessoas já infectadas pelo novo coronavírus do País. Os dados são da 4ª fase da maior pesquisa epidemiológica sobre a Covid-19 no Brasil, divulgados nesta semana. O índice mostra o total da população com anticorpos do Sars-Cov-2, ou seja, que já teve contato com o vírus.

As seis cidades cearenses que participaram do estudo (Fortaleza, Quixadá, Iguatu, Crateús, Juazeiro do Norte e Sobral) figuram nas 20 primeiras posições do ranking. O índice é de caráter amostral, o que significa que o resultado é amplificado para o total de habitantes de cada cidade de modo proporcional.

Juazeiro do Norte apresentou a maior taxa entre os municípios pesquisados do País, com 8% da população infectada. Sobral vem logo na sequência, com 7,2%, seguido de Santarém (6,4%), no Pará. O município de Quixadá, também no Ceará, aparece na quarta posição no ranking, com 5,2% da população, mesmo percentual observado em Altamira, novamente no Pará.

Nº de casos, segundo o IntegraSUS (às 10h, de 16.09):

Fortaleza: 48.036 (3.833 óbitos)

Juazeiro do Norte: 14.817 (272 óbitos)

Sobral: 11.514 (308 óbitos)

Crateús: 3.870 (69 óbitos)

Quixadá: 3.584 (77 óbitos)

Iguatu: 2.954 (76 óbitos)

Com 4%, a cidade de Iguatu ocupa a 11ª posição, ao lado de Serra Talhada (PE); e Crateús e Fortaleza apresentam 3,6% da população, mesmo percentual que outras duas cidades. Na fase 3 da pesquisa, Fortaleza apresentou taxa de prevalência de 15,60%; Quixadá de 8,90% da população; seguido de Juazeiro do Norte, com 7%, Crateús com 4,70% e Iguatu, com 2,30% do total. Na ocasião, Sobral apresentou a maior média do País, com 26,40%.

Redução

Os dados mostram que, assim como acontece no cenário nacional, há uma desaceleração da pandemia nestes municípios. As amostras para a quarta fase foram coletadas entre 27 e 30 de agosto, e mostram que 1,4% dos brasileiros tiveram contato com o vírus.

Na fase 3 da pesquisa, com amostras coletadas entre 21 e 24 de junho, o índice havia sido de 3,8%. Isso aponta para a desaceleração no País. “As diferenças entre regiões do Brasil seguiram marcantes na quarta fase, como já havia sido observado nas fases anteriores”, mostra o relatório elaborado e divulgado pelos pesquisadores.

Segundo eles, o encolhimento da pandemia é marcado pela redução da população que apresenta anticorpos. “Ao contrário do que se pensava no início, os anticorpos detectáveis pelo teste duram apenas algumas semanas. Isso vem acontecendo em diversos países, com distintos tipos de testes de anticorpos, e não somente com testes rápidos como o utilizado no Epicovi-19”, ressaltam.

A redução já havia sido sinalizada no início de julho.

Veja também:

Sobral tem 26,40% de sua população já infectada

Taxa de ocupação de leitos no Cariri e Sertão-Central preocupa

Média móvel de casos diminui no interior do Ceará

Principais resultados da 4ª fase

Os maiores percentuais de infecção são das regiões Norte (2,4%); Nordeste (1,9%) e Centro-Oeste e Sudeste (0,5%).

Foi confirmada a interiorização da pandemia no Brasil, com mudança de perfil das cidades mais afetadas, com as maiores prevalências em Juazeiro do Norte e Sobral.

Foi confirmada a maior chance de infecção em pretos e pardos. Por conta da redução da pandemia na Região Norte, a prevalência entre indígenas caiu.

A proporção da população que apresenta anticorpos diminuiu. O resultado mostra que os anticorpos detectáveis duram apenas algumas semanas.

A diminuição entre crianças e idosos foi menor se comparada ao resultado entre adultos. Nas edições anteriores, havia ocorrido o inverso.

Como ocorreu nas demais fases do estudo, as famílias 20% mais pobres da população apresentam o dobro de risco de infecção em comparação aos 20% mais ricos.

Pesquisa

A pesquisa é coordenada pelo Centro de Pesquisas Epidemiológicas da Universidade Federal de Pelotas (Ufpel) e avalia a velocidade de expansão da doença no País. Um total de 133 municípios participam do estudo, sendo a maior parte do Nordeste (42). A estimativa não indica uma possível “imunidade de rebanho” e avalia a probabilidade de uma “segunda onda” da pandemia.

Sayonara Cidade, presidente do Conselho das Secretarias Municipais de Saúde do Ceará (Cosems), aponta que este tipo de pesquisa é fundamental para conhecer a realidade da pandemia nos Municípios. “Veja que a fase 4 (de reabertura gradativa) no Cariri é completamente diferente da fase 4 de Fortaleza e Região Metropolitana”.

Segundo ela, a Secretaria da Saúde (Sesa) do Estado vem realizando essa testagem em massa, seguindo a mesma metodologia da Federal de Pelotas.

“Não podemos aglomerar, abrir bares, fazer festas, as academias ainda estão fechadas. Essa tomada de decisão é fundamental e a pesquisa (da UFPEL) não é antiga, é preciso dar credibilidade em tudo que é importante, ter academia ao nosso favor”, aponta.

Segundo ela, o resultado também mostra o tamanho do impacto em Sobral, que chegou a figurar como o epicentro da doença no Ceará. “Foi muito grande e quase no mesmo período do avanço na Capital, que teve quase 100% de ocupação de leitos”. Ela aponta que, agora, o momento é ter o retorno gradativo e seguindo os protocolos de saúde, entendo que o vírus ainda segue circulando.

Lista dos municípios com maiores prevalências da doença:

Juazeiro do Norte (CE): 8,0%

Sobral (CE): 7,2%

Santarém (PA): 6,4%

Quixadá (CE): 5,2%

Altamira (PA): 5,2%

Lábera (AM): 4,8%

Cruzeiro do Sul (AC): 4,4%

Breves (PA): 4,4%

Imperatriz (MA): 4,4%

Itabuna (BA): 4,4%

Iguatu (CE): 4,0%

Serra Talhada (PE): 4,0%

Crateús (CE): 3,6%

Fortaleza (CE): 3,6%

Paratins (AM): 3,6%

Itabaiana (SE): 3,6%

Boa Vista (RR): 3,2%

Ribeirão Preto (SP): 2,8%

Belém (PA): 2,4%

Oiapoque (AP): 2,4%

Fases

As três primeiras fases do estudo foram financiadas pelo Ministério da Saúde e coordenada pela UFPEL. Já a última aconteceu com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e do Todos Pela Saúde, iniciativa do Itaú para apoiar o enfrentamento à pandemia no Brasil. A metodologia do processo foi mantida.

As primeiras fases da pesquisa apontaram que para cada diagnóstico positivo, existiam seis não notificados. Além disso, de cada 100 infectados, um ia a óbito. Os pesquisadores realizaram coletas de gotas de sangue, em domicílio, nas cidades escolhidas. O material era analisado em aproximadamente 15 minutos. Nos casos positivos, os profissionais comunicam a Vigilância Epidemiológica local.

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