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O Diário da Capital

COVID-19: exaustão no sistema imune mesmo em jovens com quadro leve ou moderado (82 notícias)

Publicado em 20 de março de 2023

Em estudo feito pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), dados preliminares da pesquisa sugerem que a infecção pelo SARS-CoV-2 pode causar alterações severas no sistema imunológico até mesmo em pessoas jovens e saudáveis, com quadros leves ou moderados de COVID-19.

Pesquisadores brasileiros e portugueses avaliaram células de defesa de indivíduos não vacinados entre 30 e 180 dias após a infecção. Fábio Santos de Lira, professor da Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCT-Unesp), campus de Presidente Prudente, relatou à Agência FAPESP o seguinte:

“As células imunes dos pacientes infectados pelo vírus estavam em exaustão, algo semelhante ao que acontece com as células de pessoas com obesidade grau 2 ou 3, com doenças crônicas, como diabetes, ou já idosas. Mas é algo completamente inesperado para pessoas jovens e sem problemas de saúde”.

Fábio Lira

Os dados foram apresentados em congresso promovido pela Sociedade Internacional de Imunologia e Exercício nos Estados Unidos, e integram o projeto FIT COVID, apoiado pela FAPESP. O propósito do grupo, que envolve pesquisadores de instituições paulistas e da Universidade de Coimbra (Portugal), é investigar os efeitos da COVID-19 nos sistemas imune, vascular e nervoso autônomo – ramo do sistema nervoso central que controla respiração, circulação sanguínea e outras funções vitais, de pessoas com menos de 40 anos e que apresentaram quadros leves e moderados da COVID-19. A proposta é acompanhar o impacto da doença nos voluntários até dois anos depois da infecção.

O principal sinal das alterações observadas no sistema imunológico desses indivíduos foi o cansaço extremo. Foi comparado o sistema imune de 20 pessoas infectadas com o de 20 não infectadas, sendo observado uma série de alterações naquelas que tiveram COVID-19, entre elas função pulmonar prejudicada, menor nível de atividade física e, ao contrário dos pacientes que tiveram doença grave, menor concentração de moléculas pró-inflamatórias conhecidas como citocinas, que são produzidas para avisar o sistema imune sobre a necessidade de enviar mais células de defesa ao local da infecção.

Segundo o pesquisador, isso é uma autorregulação do sistema imune. E, talvez por conta da baixa quantidade de citocinas, esses indivíduos não tiveram a forma grave da doença. E explica que, por serem jovens e clinicamente saudáveis, o esperado era que essas pessoas apresentassem pequenas alterações no sistema imune. No entanto, ao avaliar o metabolismo energético das células imunológicas é que ele está completamente alterado, e conclui afirmando que um vírus muito agressivo, mesmo para pessoas jovens, saudáveis e comprovadamente sem nenhum problema clínico, destacou Lira.

Além do monitoramento desses pacientes dois anos após terem sido infectados, o FIT COVID possui uma segunda fase de estudos que tem o objetivo de avaliar células imunes de atletas olímpicos que não foram infectados pelo SARS-CoV-2 antes de terem sido vacinados. “Nosso objetivo é isolar as células imunes desses atletas olímpicos em laboratório e observar como elas reagem ao soro sanguíneo desses indivíduos jovens e saudáveis. Queremos saber se essas células conseguem amenizar os efeitos pró-inflamatórios do soro do indivíduo infectado antes da vacina e depois da vacina”, afirma o professor.