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Covid-19: estudo de prevalência da Ufpel indica tendência de desaceleração no Brasil

Publicado em 19 setembro 2020

Quarta etapa da EpiCovid-19 BR mostra que prevalência de anticorpos diminuiu desde junho e aponta para vulnerabilidade de pretos, pardos, crianças e mais pobres

Dados da quarta etapa da pesquisa EpiCovid-19 BR, da Universidade Federal de Pelotas (Ufpel), reforçam a percepção de que a Covid-19 está desacelerando no país. Foram coletadas amostras sorológicas em 33.250 pessoas entre 27 e 30 de agosto em 133 municípios. Os pesquisadores da universidade identificaram que 1,4% das pessoas testadas apresentaram anticorpos, uma redução em relação à terceira fase (3,8%).

A quarta fase da pesquisa da Ufpel, que monitorou a prevalência entre os meses de maio e junho, deveria ter começado em 9 de julho.. No entanto, os trabalhos foram interrompidos depois que o Ministério da Saúde não renovou o contrato com a universidade, firmado na gestão de Luiz Henrique Mandetta. O retorno da pesquisa foi viabilizado — sem verba federal — após um acordo com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e a iniciativa Todos pela Saúde.

A diminuição em relação à terceira etapa indica que o vírus circula com menos intensidade pelo país, mas a menor prevalência de anticorpos não significa que a população está menos protegida. Segundo os autores, a memória imunológica aquirida pelo organismo contra o patógeno mantém as pessoas suficientemente protegidas em caso de nova infecção.

Isso ocorre porque os anticorpos contra o Sars-CoV-2 só são detectáveis pelos kits utilizados pelos cientistas da Ufpel durante algumas semanas, ao contrário do que se imaginava inicialmente. Segundo os autores do estudo, o mesmo padrão tem sido identificado ao redor do mundo com diferentes tecnologias de testagem. Por isso, é possível identificar se a infecção ocorreu recentemente.

Coordenador da EpiCovid-19 BR, Pedro Hallal, avalia que os estudos representam uma ótima notícia para o Brasil. O acadêmico, que também é reitor da Ufpel, afirma que a redução de anticorpos na população contraria o que se imaginava no início da pandemia, quando ainda se conhecia muito pouco sobre a doença e se presumia que a prevalência só cresceria. A principal referência era a Síndrome Aguda Respiratória Grave (Sars), provocada por outro coronavírus, o Sars-CoV, cujos anticorpos eram muito duradouros.

"A diminuição da prevalência mostra que a intensidade da pandemia está diminuindo no Brasil. Isso é uma ótima notícia. Hoje já sabemos que essa filmadora representada pela pesquisa faz fotos de diferentes momentos do tempo, ao invés de gravar um filme. Cada fotografia representa o dia da coleta até 45 dias antes. Nesse intervalo, a epidemia estava muito mais fraca do que o período de 45 que antecedeu a fase anterior (em junho). É um grande achado", diz Hallal.

"Se fosse verdade que os anticorpos duram muito tempo e se mantêm, talvez pudéssemos interpretar os resultados como um indicativo de quantas pessoas tiveram exposição ao vírus e o quanto estaríamos próximos de uma imunidade de rebanho. Mas se eles não duram tanto tempo, é errado estimar uma imunidade coletiva. Todos os testes têm demonstrado essa queda de anticorpos.São características do vírus. Estimar imunidade por inquérito sorológico neste momento é um equívoco", completa Hallal.

Apesar da boa notícia, os números não significam que é hora de relaxar nas medidas preventivas, lembra Hallal: "Mesmo com a desaceleração, é absolutamente necessário manter o distanciamento social, usar máscaras quando for necessário sair às ruas, manter higienização e evitar colocar a mão nos olhos, boca e nariz".

O reitor da Ufpel reforça que descobertas dessa natureza são esperadas no âmbito de uma doença completamente nova como a Covid-19, que foi notificada pela primeira vez há menos de um ano cercada de mistérios ainda sem respostas.

"Temos que reconhecer que ainda temos muito a aprender sobre a doença. Algumas concepções mudam com o passar do tempo. Não podemos ter vergonha de reconhecer que o conhecimento científico vai avançando dia após dia. O conhecimento científico se adapta e vamos aprendendo", lembra o pesquisador.

Índice de letalidade - Hallal nota que o índice de letalidade da Covid-19 estimado pela EpiCovid-19 BR, de sete óbitos por mil casos confirmados da doença, diminuiu em relação às fases anteriores, quando o índice era de 11 vítimas fatais por mil infectados. O pesquisador salienta que é preciso aguardar por respostas inconclusivas, mas que o dado pode indicar boas notícias.

"Isso pode ser interpretado de duas formas: pode ser apenas uma flutuação amostra ou uma diminuição da gravidade dos quadro. Seja porque se aprendeu melhor a manejar a doença ou pelo tratamento precoce, ou pelo uso de máscaras. Mas a letalidade parece estar diminuindo no Brasil".

A Região Norte teve a maior prevalência do vírus, com 2,4%, seguida do Nordeste, com 1,9%. Já no Sudeste, Sul e Centro-Oeste, o patamar foi de 0,5%. O trabalho também identificou a tendência de interiorização da Covid-19 no Brasil. As duas cidades com maior prevalência são Juazeiro do Norte e Sobral, no Ceará, com 8,0% e 7,2%, respectivamente, bem à frente de capitais como Fortaleza, com 3,6%, Boa Vista (3,2%), Belém (2,4%), São Paulo (0,8%) e Rio (0,8%). A Ufpel indica, ainda, que sete pessoas a cada mil infectados faleceram em decorrência do novo coronvírus.

Hallal afirma que a tendência de interiorização da Covid-19, apontada por diferentes modelos no mês passado, foi atestada pelo levantamento da EpiCovid-19 BR. O processo tem um lado positivo, representado pela desaceleração da epidemia nas capitais e metrópoles mais populosas, e negativos, com a exposição de municípios com infraestrutura de saúde deficitária ao Sars-CoV-2.

"Agora a interiorização está materializada em um estudo populacional. Se compararmos a quarta fase com a anterior, houve muito mais aumento de casos no interior do que nas capitais. E a desaceleração das capitais também vai acontecer no interior", afirma o coordenador da pesquisa.

A estratificação por renda e faixa etária também mostra que a doença não atingiu a população brasileira de forma homogênea. A quarta fase reforçou tendências observadas nas etapas anteriores: pretos e pardos têm maior chance de se infectar, enquanto os 20% mais pobres têm o dobro de prevalência em relação à camada dos 20% mais ricos. Já entre os indígenas, esse índice diminuiu na medida em que a epidemia reduziu a velocidade na Região Norte.

Houve, no entanto, mudanças em relação à terceira fase. Cresceu a prevalência de anticorpos em crianças e idosos, enquanto houve queda entre adultos. Hallal atribui esse fator à redução da adesão ao isolamento.

"Nas três primeiras havia maior concentração nos casos dos grupos economicamente ativos, na fase adulta e jovem. Agora, temos mais crianças e idosos infectados na quarta etapa. Não há resposta definitiva sobre as razões, mas minha interpretação é que o vírus já infectou muita gente na idade produtiva. Os grupos etários extremos começaram a relaxar mais neste momento e o vírus está infectando essas pessoas mais suscetíveis".

Hallal chama atenção para o aumento no número de contágios entre crianças, mesmo que a doença não se manifeste da forma mais grave nessa faixa etária na maior parte das vezes, em razão do debate sobre o retorno às aulas.

"No começo da pandemia se chegou a dizer que criança não pegava a Covid-19 ou que eram poucos casos.A EpiCovid tem mostrado ao mundo, diria, que as crianças pegam o vírus tanto quanto adultos. Tanto que agora estão pegando mais do que eles. Sabemos nos idosos que o risco é maior. Mas as crianças, assim como os grupos etários de risco, precisam ser preservadas. Mesmo que as complicações sejam raras, não deveriam acontecer. A ideia de retomada das atividades escolares de forma precoce é equivocada", afirma.

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