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Covid-19 e vacinas: acesso muito desigual

Publicado em 12 janeiro 2021

Por Revista Pesquisa Fapesp ed. 299 (janeiro 2021)

Antes mesmo de saírem os resultados de eficácia dos compostos candidatos a vacina, tornou-se evidente que, ao menos no próximo ano, não haverá imunizantes para toda a população do planeta. Além disso, a distribuição deve ser bastante desigual.

As empresas farmacêuticas com formulações em fase mais avançada de testes afirmam ter capacidade de produzir doses suficientes para imunizar um terço da população mundial. No entanto, os habitantes dos países mais pobres possivelmente terão de esperar até 2024 para receber a proteção, segundo análise apresentada em novembro pelo Centro de Inovação em Saúde Global da Universidade Duke, nos Estados Unidos. Coordenado por Elina Urli Hodges, o levantamento quantificou as doses negociadas por diferentes países em acordos bilaterais com empresas e países produtores de imunizantes.

Até outubro, os países mais ricos e alguns países de renda média haviam contratado a compra de 3,8 bilhões de doses, com opção de adquirir mais 5 bilhões. O Canadá e os Estados Unidos, por exemplo, garantiram a aquisição de doses suficientes para vacinar várias vezes toda a sua população, enquanto apenas 250 milhões de doses estavam destinadas ao Covax, consórcio internacional que pretende promover o acesso igualitário aos imunizantes.

“Um esforço ambicioso para criar um sistema global de equidade de vacinas está sendo minado à medida que um punhado de países, alguns supostamente comprometidos com a igualdade, tenta garantir o máximo possível de doses”, disse Urli Hodges em um comunicado à imprensa. Segundo a análise, deve-se levar de três a quatro anos para produzir doses suficientes para imunizar a população mundial.

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