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Correio Popular (Campinas, SP)

Covid-19 afeta conectividade do cérebro, aponta pesquisa

Publicado em 03 fevereiro 2021

Por Erick Julio

O avanço da pandemia de covid-19 alterou a rotina em todos os países do mundo. Ainda que tenham sido desenvolvidas diferentes vacinas para a doença, pouco se sabe Pesquisadora diz ter ficado surpresa com resultados do estudo quais são os efeitos causados pelo coronavírus SARSCoV-2 nas pessoas que foram contaminadas e se curaram. Um estudo realizado pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que envolveu 4 mil voluntários, mostrou que o micro-organismo pode alterar o padrão de conectividade funcional do cérebro ao causar uma espécie de “ curto-circuito ”, conforme explica doutora em neurociências Clarissa Lin Yasuda `` De um modo preliminar, percebemos, por meio de uma análise de ressonância magnética funcional, realizada com o paciente em estado de repouso, que todas as a TH rs Ro+. A ciência desenvolveu diversas vacinas contra a covid-19, mas ainda não descobriu como a doença afeta diferentes organismos dos infectados áreas do cérebro de pacientes que tiveram a covid-19 ficam ligadas ao mesmo tempo, sem necessidade. E como se fosse um curto-circuito. Em outras palavras, mesmo em repouso, partes do cérebro que deveriam estar desligadas estão constantemente em funcionamento, provocando um gasto de energia maior, o que leva o órgão a trabalhar de forma menos eficiente ”, afirma. A pesquisadora, que faz parte do Instituto de Pesquisa sobre Neurociências e Neurotecnologia (), um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), explicou que o estudo realizou testes neuropsicológicos de acordo com a idade, o sexo e a escolaridade dos voluntários participantes. Segundo ela, o método permitiu perceber que alguns indivíduos com sintomas tardios da covid-19 tiveram um desempenho cognitivo abaixo do esperado ao realizar algumas tarefas. Ainda segundo Clarissa, os dados coletados surpreenderam, uma vez que o estudo avaliou apenas pessoas que tiveram um estágio mais leve da covis-19 `` Eu me assustei com os dados. Achávamos que as pessoas que não tiveram a doença em um estado mais grave e que não precisaram ser hospitalizadas não estariam se queixando de tantas sequelas. Então, foram resultados que causaram algum espanto, já que as informações coletadas não encontram nenhum paralelo semelhante com outra doença ”, apontou.

 

A pesquisadora que lembrou que essa hiper conexão cerebral também ocorre em outras doenças, porém, de uma forma menos aguda. `` Quando você está sem fazer nada, algumas redes ligam e outras desligam. Quando fala algo, a rede da linguagem é ativada, enquanto que a rede padrão do cérebro se desliga. Ocorre, no entanto, que essa rede padrão não está se desligando quando um paciente, que teve covid-19, está em repouso. Em pacientes diagnosticados com Alzheimer, por exemplo, essa rede padrão vai ficando cada vez mais ligada, conforme a doença avança. O cérebro funciona nesse liga e desliga constante, pois não dá para ter tudo ligado ao mesmo tempo e o tempo todo ”, explicou. “ Em outras palavras, mesmo em repouso, partes do cérebro que deveriam estar desligadas estão constantemente em funcionamento ” Clarissa Lin Yasuda Pesquisadora da Unicamp Próximo passo é entender a causa do' curto-circuito' Investigação terá sequência após análise detalhada de questionário respondido por cerca de 4 mil voluntários Apesar do detalhamento dos dados, ainda não é possível estabelecer o que provoca essa hiperatividade das áreas cerebrais. A pesquisadora revelou que o estudo terá pelo menos mais três etapas para poder chegar a alguma conclusão. Os primeiros voluntários foram avaliados em agosto de 2020 e, após seis meses, estão retornando para fazer novos exames. Eles ainda devem passar por mais duas avaliações, uma daqui um ano e outra no início de 2024. `` A interpretação que temos preliminarmente é que talvez o cérebro esteja sofrendo algum dano e está tentando reconstruir os caminhos neurais. Acredito que talvez o cérebro busque retomar a ligação de redes neurais que não estão funcionando direito ou ele, o cérebro, está ligando tudo na busca de criar novas redes. Não temos essa resposta ainda. Somente com o estudo completo é que vai ser possível determinar ”, observou Clarissa, que revelou que já recebeu respostas ao questionário da pesquisa com os 4 mil voluntários.

Na primeira fase, os participantes revelaram os principais sintomas que sentiram. Segundo a cientista, os mais comuns foram fadiga cansaço (53,5%), cefaleia (40,3%) e alteração de memória (37%). Já na segunda fase, 642 voluntários afirmaram que ainda sofrem com sintomas tardios da doença, entre eles fadiga cansaço (59,5%), sonolência diurna (36,3%), alterações de memória (54,2%), dificuldade de concentração (47%) e para realizar as atividades diárias (23,5%). Outros 41,9% afirmaram que sentiram sintomas de ansiedade, um percentual bem acima da média da população brasileira, que gira em torno de 10%, segundo o e sture trems o enfia rog rada QUAIS Ve sofia 196 cod UUNTE A pesquisadora da Unicamp Clarissa Lin Yasuda: alteração pode ser resposta do cérebro a dano provocado pela covid-19 o* qn nenem Divulgação x do. Para a Clarissa, os números preliminares mostram a importância da pesquisa, uma vez que ainda há muito que se descobrir sobre a covid-19. “ Nunca imaginei encontrar tanta alteração neural e tantas pessoas querendo participar do estudo. Acredito que esse número grande de voluntários representa um pedido de ajuda, de muitas pessoas estão se queixando de algum sintoma tardio. Então, diante dos recursos que temos, graças à Fapesp, achei que tínhamos a obrigação e o dever de contribuir para ver o que está acontecendo ”, finaliza. Pessoas que tiveram a covid-19 e quiserem contribuir com o estudo, podem entrar em contato com o Departamento de Neurologia da Unicamp pelo telefone 19-99768-7517 ou pelo e-mail neurocovidWhc. unicamp. br.