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Costa brasileira pode ter mais de 13 mil espécies, segundo pesquisadora

Publicado em 29 outubro 2013

A costa brasileira pode ter cerca de 13 mil espécies de diferentes animais, plantas e algas, avalia a professora do Instituto Oceanográfico da Universidade São Paulo (IO/USP), Angeles Gasalla.

O levantamento revisado sobre a biodiversidade da zona costeira marinha sul-americana, divulgado pela revista PLOs One, indica a existência de 9.103 espécies em águas brasileiras. O trabalho foi feito por Patricia Miloslavich, pesquisadora da Universidad Simón Bolívar, da Venezuela. Durante o encontro Ciclo de Conferências 2013 do Biota-Fapesp, em São Paulo, Angeles comparou os dados com os números provenientes de revisões recentes feitas por pesquisadores brasileiros.

Em relação à plataforma marítima brasileira, o trabalho de Miloslavich destaca o grupo dos crustáceos, com 1.966 espécies conhecidas, como o de maior diversidade, seguido pelos moluscos (1.833), peixes (1.294) e poliquetas (987) - juntos, segundo o artigo, esses animais correspondem a 66,79% da biota marinha conhecida no Brasil.

"Esses números, a princípio, pareciam até mais elevados do que algumas estimativas anteriores. Mas, avaliando o artigo profundamente, percebemos que estão subestimados.

Somando dados de trabalhos recentes feitos por pesquisadores brasileiros, chegamos ao número de 10.804 espécies diferentes apenas no que diz respeito à fauna marinha. Se considerarmos também a flora, o número pode chegar perto de 13 mil espécies", afirmou Gasalla.

De acordo com a revisão da literatura compilada por Gasalla, o número de espécies de crustáceos descritos na costa brasileira atingiria de 3.335. Além disso, já seriam conhecidas 1.886 espécies de moluscos, 1.420 de peixes e 987 de poliquetas.

Os cientistas não sabem ao certo qual é a porcentagem da biota marinha ainda desconhecida no Brasil. Acredita-se, no entanto, que esta seja muito alta e que muitas espécies poderão desaparecer antes mesmo de serem descobertas.

A pressão antrópica - o impacto causado por atividades humanas como poluição, degradação de habitats por empreendimentos econômicos, expansão do turismo desordenado, introdução de espécies exóticas e atividade pesqueira não manejada - é considerada a principal ameaça à biodiversidade da chamada Amazônia Azul (a costa brasileira), segundo reportagem da Agência Fapesp.

A zona marinha do País abrangia originalmente uma área de 3,5 milhões de quilômetros quadrados. Com a extensão da plataforma continental solicitada pelo Brasil à Organização das Nações Unidas (ONU) na última década, a extensão da Amazônia Azul passou para 4,5 milhões de km².