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Coronavírus pode levar adultos e crianças à morte por insuficiência cardíaca

Publicado em 17 julho 2020

Uma das principais causas de óbito entre pacientes contaminados pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2) é a insuficiência respiratória. Só que, agora, autópsias realizadas nos últimos quatro meses em vítimas fatais da COVID-19 apontam que alguns dos pacientes faleceram em decorrência de alterações cardiovasculares, causadas pelo novo vírus.

Durante a pesquisa, um grupo de médicos brasileiros realizou cerca de 70 autópsias em pacientes diagnosticados com COVID-19 que morreram no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP). Com isso, investigam qual o mecanismo de ação do coronavírus que provoca, além de lesões epiteliais em praticamente todos os órgãos, alterações na micro e macrocirculação, que podem levar a insuficiência cardíaca.

“Já sabemos como o vírus se distribui por órgãos como o cérebro e os rins, além das glândulas salivares e gônadas, por exemplo, e que ele chega ao sistema nervoso central por meio do nervo olfatório. Queremos saber, agora, como o vírus causa trombos na micro e macrocirculação de forma muito mais exuberante que a do vírus da influenza, por exemplo”, explica Paulo Saldiva, professor da USP e um dos coordenadores do projeto.

Pulmão x coração

Durante a Mini Reunião Anual Virtual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), uma série de pesquisadores brasileiros discutiram sobre a situação brasileira frente ao desafio da epidemia da COVID-19, discutiu-se o tema da insuficiência cardíaca em contaminados pelo coronavírus. Inclusive, segundo Saldiva, entre os pacientes diagnosticados com a COVID-19 e autopsiados que morreram em decorrência de alterações cardiovasculares, havia adultos e também crianças, com idades entre oito e 11 anos.

“Eles tinham pulmões razoavelmente preservados, mas desenvolveram uma insuficiência cardíaca muito intensa, que levou ao óbito”, afirma Saldiva. Em alguns casos, o coronavírus foi identificado no músculo cardíaco – o miocárdio. Em outros, foi observado surgimento de trombose na microcirculação tanto pulmonar como cardíaca. “Queremos entender as causas dessa situação para poder ajudar e intervir mais rapidamente no tratamento desses pacientes. Esse é um dos propósitos do projeto”, completa Saldiva.

Para a pesquisa médica, as autópsias nas vítimas fatais da COVID-19 foi realizada com técnicas minimamente,invasivas e guiadas por métodos de imagem, através das quais são coletadas amostras de tecidos de todos os órgãos. Essa tecnologia foi desenvolvida no âmbito de um projeto apoiado pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).

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