Notícia

A Folha (São Carlos, SP)

Coração ganha novo aliado contra infarto

Publicado em 22 dezembro 2011

Mônica Pileggi/Agência Fapesp

A nitroglicerina é um composto químico explosivo obtido a partir da reação de nitração da glicerina. Além de sua aplicação em explosivos, o composto é utilizado na medicina há séculos como vasodilatador no tratamento de dores no peito, conhecidas como angina. O tratamento também é utilizado nas salas de emergência de hospitais, quando pacientes chegam com sinais de infarto agudo de miocárdio.

Entretanto, os benefícios da nitroglicerina para o coração estão limitados pelo desenvolvimento de tolerância ao composto. Na pesquisa, realizada no Departamento de Química e Biologia de Sistemas da Escola de Medicina da Universidade Stanford, nos Estados Unidos, o brasileiro Julio Cesar Batista Ferreira e o chinês Lihan Sun, doutorandos na instituição, descobriram que a intolerância à nitroglicerina não se deve somente à perda do efeito vasodilatador do medicamento.

Segundo Ferreira, quando precedido do infarto do miocárdio, o uso sustentado de nitroglicerina pode causar efeitos devastadores ao coração. O estudo foi coordenado pela professora Daria Mochly-Rosen.

A tolerância à nitroglicerina é resultado da inativação da aldeído-desidrogenase 2 (ALDH2), uma enzima essencial para a proteção cardíaca em humanos e animais vítimas de infartos. O trabalho teve seus resultados publicados no início do mês na Science Translational Medicine.

O estudo verificou que a molécula ALDA-1, também descoberta pelos pesquisadores de Stanford, é capaz de manter o funcionamento de ALDH2 e evitar efeitos deletérios decorrentes da tolerância à nitroglicerina durante o ataque cardíaco.

Ferreira fez Mestrado, Doutorado e Pós-Doutorado na Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo (USP), com bolsas da FAPESP, e está atualmente em Stanford. Em 2012, retornará à USP, após ter sido aprovado em concurso para lecionar no Departamento de Anatomia do Instituto de Ciências Biomédicas.

De acordo com Ferreira, ao ser administrada junto à nitroglicerina, a ALDA-1 mantém a enzima ALDH2 ativada durante o infarto do miocárdio, inibindo os efeitos prejudiciais ao coração da tolerância à nitroglicerina.

"Em casos de dores no peito e infarto, médicos costumam administrar a nitroglicerina em ciclos on/off - de 16 horas com o fármaco e 8 horas sem -, na tentativa de mascarar o efeito de tolerância. Mas esse período prolongado leva à inativação da ALDH2, fator que eleva as chances de um infarto mais grave", disse à Agência FAPESP.

O pesquisador explica que a ALDH2 é uma enzima mitocondrial cujas funções são essenciais no sistema cardiovascular, entre as quais catalisar a conversão da nitroglicerina ao vasodilatador óxido nítrico e remover aldeídos tóxicos produzidos durante o infarto do miocárdio.

"Com a inibição dessa enzima pelo excesso de nitroglicerina, esses aldeídos se acumulam no coração e passam a se ligar a proteínas, lipídios e ao DNA, resultando na morte celular durante o infarto do miocárdio. Com a ALDH2 ativada, é possível remover com mais facilidade esses aldeídos, minimizando os danos ao coração", disse Ferreira.

O estudo foi feito em ratos. Após a administração da nitroglicerina por 16 horas, os pesquisadores induziram infarto do miocárdio nos animais e observaram que o grupo com nitroglicerina apresentou disfunção cardíaca maior do que os demais ao longo de três semanas após o infarto.

"Porém, quando administramos a nitroglicerina combinada à ALDA-1, os efeitos deletérios da tolerância ao medicamento não se manifestaram", destacou.

Jogo eletrônico contra dengue desenvolvido em São Carlos fica entre os três melhores da América Latina

O jogo Ludo Educativo "Contra Dengue" ficou entre os três melhores jogos da América Latina que atuam na transformação social no I Games For Change, que ocorreu em São Paulo de 8 a 11 de dezembro. O jogo foi desenvolvido por quatro alunos do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP), instalado no campus São Carlos da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

Ludo Educativo é um conjunto de jogos eletrônicos gratuitos disponibilizados no site www.ludoeducajogos.com.br com o intuito de educar. Foi criado há dois anos por um aluno da Unesp de Araraquara e hoje é desenvolvido pelos estudantes do IFSP Rodrigo Bareato, Rener Baffa da Silva, Thiago Correa Camargo e Paulo Fernando Pereira.

O objetivo do jogo premiado, Contra Dengue, é eliminar os focos da doença espalhados evitando, assim, criadouros dos mosquitos transmissores da dengue, problema bastante comum no Brasil.

A classificação do jogo foi na categoria Playground, que contempla jogos já desenvolvidos e em operação. Os outros jogos selecionados no evento foram o Viollin Vilan (do Brasil, para aprendizado de violino) e o El pez dourado (do Peru, que trata da temática da ecologia a partir de um peixe dourado).

A iniciativa tem apoio do Centro Multidisciplinar para o Desenvolvimento de Materiais Cerâmicos (CMDMC), da Fapesp, e do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia dos Materiais em Nanotecnologia (INCTMN) do CNPq, além da colaboração e orientação dos departamentos de Química (DQ) e Engenharia de Materiais (DEMa) da UFSCar, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da USP, do Departamento de Química da Unesp e parceria da empresa Aptor Games.

Além do Contra Dengue, o grupo desenvolve outros 16 jogos eletrônicos, todos gratuitos e educativos, para alunos a partir do segundo grau do Ensino Fundamental. "Agora os planos são desenvolver jogos para crianças que estão sendo alfabetizadas, além de um sobre educação no trânsito e outro para concurso da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB)", conta Rodrigo.

O desenvolvimento dos jogos eletrônicos tem como coordenador geral o professor Elson Longo, docente aposentado da UFSCar e professor do Departamento de Química da Unesp de Araraquara; e coordenação de computação do professor Thiago Jabur, do Departamento de Computação da Universidade Federal de Goiás (UFG).

Fundada em 2004, a organização sem fins lucrativos Games For Change atua em todo o mundo facilitando a criação e distribuição de jogos de impacto social que servem como ferramentas de crítica nos esforços humanitários e educacionais. Esta entidade pretende alavancar entretenimento e engajamento para o bem social. Games For Change é o maior evento da América Latina sobre o potencial benéfico dos games na educação, saúde, empreendedorismo, transformação social e cultural. "É muito gratificante receber um prêmio como este, que mostra o reconhecimento do intenso trabalho feito pelo grupo que resultou em um jogo divertido e educativo", finaliza o estudante Rodrigo Bareato.