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Cor vermelha aumenta apetite de peixes, mostra estudo de brasileiros

Publicado em 01 junho 2013

Por Elton Alisson, da Agência FAPESP

Um grupo de pesquisadores da Unesp (Universidade Estadual Paulista), em Botucatu, demonstrou que algumas tonalidades de cores podem estimular o metabolismo e aumentar o apetite de espécies de peixes.

O grupo constatou que o vermelho aumenta o apetite e a ingestão de ração pela tilápia nilótica (Oreochromis niloticus) – uma espécie de peixe cultivada em vários países, além do Brasil, e muito sensível a diferentes comprimentos de ondas de luz - sem que ela engordasse.

"Observamos que a cor vermelha estimula a alimentação de peixes. O aumento da ingestão de ração, contudo, não foi convertido em maior crescimento do animal", disse Gilson Luiz Volpato, professor do departamento de fisiologia do Instituto de Biociências da Unesp de Botucatu, autor do estudo publicado nesta semana na PLoS One.

Durante quatro semanas, diferentes grupos de tilápias nilóticas foram mantidas em aquários de vidro, cobertos com papel celofane nas cores branca, azul, verde, amarela e vermelha e sob níveis de luz semelhantes – uma vez que a intensidade pode influenciar no crescimento dos peixes. Os animais foram alimentados uma vez por dia.

Após o período de aclimatação, foram avaliados e medidos durante outras quatro semanas os efeitos das cores sobre a adaptação dos peixes ao novo ambiente com luzes coloridas, além do tempo que demoravam para iniciar a alimentação, a quantidade de ração que ingeriam e a conversão do que consumiam em crescimento.

O experimento revelou que os peixes mantidos no aquário com luz vermelha começavam a alimentação mais rapidamente e consumiam maiores quantidades de ração do que os peixes criados nos aquários com outras cores. O peso de todos, no entanto, foi semelhante.

"Há algum fator que ainda não conseguimos identificar que faz com que os peixes expostos à luz vermelha ingiram quantidades maiores de ração e não ganhem mais peso", disse Volpato. "Uma hipótese é que o excesso do alimento foi canalizado para processos físicos que exigem gasto de energia do animal, como a própria natação."

Sistema nervoso

Para descartar a hipótese de que, na luz vermelha, os peixes conseguiam enxergar melhor o alimento na água, os pesquisadores deram ração com a luz desligada. As gravações com câmeras infravermelho, que filmam no escuro, mostraram que a ausência de luz não interferiu no processo, e os peixes ainda se alimentavam mais rapidamente.

Já para avaliar se, além da visão, outros sentidos estão envolvidos em sua sensibilidade ao alimento, os pesquisadores fizeram um terceiro experimento, no qual diluíram uma ração solúvel em um dos cantos dos aquários, na direção contrária dos peixes, e mediram o tempo que eles levavam para se aproximar do alimento.

O teste demonstrou, mais uma vez, que os peixes mantidos no aquário com luz vermelha reagiram mais rapidamente ao estímulo olfativo do que os outros. "Provavelmente, a cor vermelha também pode afetar o sistema nervoso central desses animais."

Na avaliação de Volpato, as descobertas do estudo abrem a perspectiva de realizar pesquisas sobre os mecanismos pelos quais as cores podem afetar os animais e como elas agem no sistema nervoso central de peixes.

"Temos dados [anteriores] que mostram que, de fato, o azul é uma cor que melhora o bem-estar dos animais, enquanto o vermelho é uma tonalidade que incomoda", comparou Volpato. "Apesar de causar o aumento do apetite e da ingestão da quantidade de ração, a cor vermelha parece ser prejudicial para essa espécie de peixe", avaliou.

Da Agência Fapesp