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Coppe contribui para produção de documento sobre integridade em pesquisa

Publicado em 19 julho 2012

O Brasil vem se tornando uma potência científica, estabelecendo uma posição de liderança na América Latina e se destacando em todo o cenário internacional. Mas, para consolidar esta liderança, órgãos governamentais e instituições de pesquisas do país precisam investir cada vez mais na promoção da ética e integridade científica. Esta é uma das principais conclusões dos cientistas e editores de periódicos técnicos que participaram do II Encontro Brasileiro de Integridade em Pesquisa, Ética na Ciência e em Publicações (Brispe), realizado na Coppe/UFRJ, uma das coordenadoras do evento.

Com base nas conclusões da segunda edição do Brispe, foi produzido o documento Declaração Conjunta sobre Integridade em Pesquisa, em três idiomas - português, inglês e espanhol. A publicação traz recomendações dos membros participantes do evento, que atuam em várias instituições internacionais como Universidade de Copenhagen (Dinamarca), Universidade do Arizona (EUA), e All European Academies (Holanda); e brasileiras, a exemplo da UFRJ, incluindo a Coppe, UFF, Fiocruz, USP, Unifesp, e Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), entre outras.

De acordo com os pesquisadores, estabelecer uma liderança exige mais do que publicações científicas de alto impacto e pesquisadores qualificados. O diretor de Assuntos Acadêmicos da Coppe, Edson Watanabe, diz que estas são características fundamentais que traduzem um centro de excelência, mas elas terão pouco valor caso os estudos não sejam realizados com ética, responsabilidade e alto padrão de integridade. "Os pesquisadores têm que estar muito atentos ao que publicam, para que parte de seus estudos não seja uma pirataria, ou interpretado como fraude. Por isso, sempre devem indicar a fonte correta quando, por exemplo, um determinado trecho for retirado de outro estudo e reproduzido em suas dissertações de mestrado, teses de doutorado ou artigos científicos", explica Watanabe, um dos coordenadores do II Brispe, junto com as professoras Sonia Vasconcelos e Martha Sorenson, do Instituto de Bioquímica Médica (IBqM) da UFRJ.

O professor Watanabe acrescenta que o mesmo nível de cuidado também é necessário no desenvolvimento de novas tecnologias. Um aluno de doutorado, por exemplo, deve sempre analisar, com ajuda de seu orientador, o que é de fato inovador e inédito em seu estudo. A propriedade intelectual conferida a ele só é válida para sua inovação, e o que usou como base deve ser citado, com os devidos créditos do autor.

Com o objetivo de orientar os alunos, a Coppe implantou este ano o curso de Metodologia científica e integridade em pesquisa, que foi frequentado por 107 estudantes da UFRJ. Ministradas pelos professores Renan Almeida, do Programa de Engenharia Biomédica da Coppe/UFRJ, e Sonia Vasconcelos, do IBqM/UFRJ, as aulas proporcionaram uma visão mais ampla das características e importância da comunicação escrita em ciência, de forma a tornar mais precisa as informações e as linguagens usadas nas teses de doutorado, dissertações de mestrado, revistas especializadas e trabalhos publicados em congressos. Além disso, as aulas abordaram o cuidado que os alunos devem ter para manter a integridade na pesquisa, sem que haja plágio acadêmico, ou mesmo publicações redundantes, e inadequações sobre a autoria dessas publicações.

A professora Sonia Vasconcelos, uma das principais idealizadoras do Brispe, diz que na elaboração do documento, os pesquisadores tiveram como base as instruções de boas práticas na pesquisa utilizadas pelos órgãos brasileiros CNPq e Fapesp, e os documentos internacionais Declaração de Cingapura e o do Comitê Internacional de Ética em Publicações. De acordo com ela, entre as recomendações está a conscientização dos alunos de que o plágio é uma violação acadêmica, independente de estar no ensino fundamental, médio ou universitário.

"Para tanto, as instituições de ensino e pesquisa do Brasil devem fornecer materiais educativos que mostrem o que é considerado plágio, suas diversas formas, e quais são os limites de apropriação do trabalho de outrem, alertando os estudantes que a prática, além de ser uma violação acadêmica, é ilegal no país, portanto passível de punição", conclui Sonia, que também é pesquisadora colaboradora do Programa de Engenharia Química da Coppe.

(Ascom da Coppe/UFRJ)