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Copaíba-vermelha mostra ação contra SARS-CoV-2 em estudo (179 notícias)

Publicado em 02 de maio de 2026

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Compostos extraídos das folhas da copaíba-vermelha (Copaifera lucens Dwyer), árvore endêmica do Brasil, demonstraram ação multialvo contra o vírus SARS-CoV-2, causador da Covid-19, em um estudo conduzido por uma equipe internacional de cientistas e publicado na Scientific Reports.

Resumo

Estudo internacional revela que compostos da copaíba-vermelha agem contra SARS-CoV-2.

Pesquisa, com apoio da FAPESP, foi publicada na renomada Scientific Reports.

Ácidos galoilquínicos inibem entrada e replicação do vírus da Covid-19 nas células.

Substância possui mecanismo multialvo, o que pode reduzir o desenvolvimento de resistência.

Atividades anti-inflamatórias e imunomoduladoras também contribuem para a eficácia.

Ainda são necessários ensaios in vivo e clínicos para transformar a substância em medicamento.

Compostos extraídos das folhas da copaíba-vermelha (Copaifera lucens Dwyer), árvore endêmica do Brasil, demonstraram ação multialvo contra o vírus SARS-CoV-2, causador da Covid-19. Uma equipe internacional de cientistas conduziu o estudo e o publicou na Scientific Reports .

Compostos denominados “ácidos galoilquínicos”, extraídos das folhas da Copaifera lucens Dwyer , foram o foco do estudo. A escolha da espécie se deu pela experiência do farmacêutico Jairo Kenupp Bastos, professor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FCFRP-USP), em fitoquímica e farmacologia de espécies de Copaifera . Investigações anteriores já haviam apontado benefícios biológicos e farmacológicos desses ácidos, incluindo atividades antifúngicas e anticancerígenas in vitro e in vivo . Além disso, apresentavam propriedades antivirais de amplo espectro. Derivados da substância também mostraram inibição significativa contra o HIV-1 em ensaios bioquímicos e cultura de células. Ainda, apresentaram menor toxicidade em comparação a outras moléculas testadas.

Mecanismo multialvo e potencial terapêutico

Sendo assim, para o estudo, que a FAPESP apoiou e a Scientific Reports publicou, os cientistas prepararam e caracterizaram frações ricas em ácidos galoilquínicos das folhas da copaíba-vermelha. Em seguida, os pesquisadores realizaram ensaios de citotoxicidade para determinar a segurança da introdução desses compostos em células hospedeiras e avaliaram a atividade antiviral por meio de ensaios de redução de placas.Esse método quantifica a capacidade de neutralização viral.

Os resultados, portanto, indicam forte ação contra o SARS-CoV-2. A pesquisa também investigou a expressão de proteínas virais e as interações com alvos-chave do vírus, como o domínio de ligação ao receptor da proteína Spike. Esse domínio é essencial para a entrada viral nas células humanas. Além disso, investigou a protease tipo papaína (PLpro), importante para a evasão viral, e a RNA polimerase. Essa enzima é crucial para a replicação do vírus.

Os ácidos galoilquínicos demonstraram forte ação contra a variante do coronavírus, inibindo a entrada viral nas células, a replicação do patógeno e a expressão das proteínas virais. Adicionalmente, as atividades anti-inflamatórias e imunomoduladoras da substância podem contribuir para a regulação da resposta imune em indivíduos infectados. Esse aspecto é relevante em casos graves da doença.

Mohamed Abd El-Salam, professor da Delta University for Science and Technology (Gamasa, Egito) e da Universidade Pompeu Fabra (Barcelona, Espanha), cujo doutorado foi realizado na USP, destacou que a abordagem integrada permitiu compreender como os compostos funcionam e atuam em nível molecular. O professor Bastos ressaltou que “um aspecto importante é o mecanismo multialvo do composto, o que reduz a probabilidade de desenvolvimento de resistência. Isso porque muitos antivirais atuais agem apenas sobre uma proteína viral, o que favorece esse efeito”. O trabalho contou com a participação de pesquisadores de outras instituições egípcias e da República Tcheca.

Próximos passos para o desenvolvimento de medicamento

Embora os resultados sejam promissores, ainda são necessários ensaios in vivo e clínicos para que a substância seja transformada em um medicamento contra a Covid-19. Os autores da pesquisa enfatizam a importância da biodiversidade e da investigação de produtos naturais como fontes de candidatos terapêuticos inovadores. Eles reforçam que a flora brasileira representa um reservatório estratégico para a descoberta de novos fármacos.