Notícia

JC e-mail

Cooperação Ciência e Tecnologia entre Brasil e Canadá

Publicado em 22 março 2007

Por Fábio de Castro, Agência FAPESP

Os dois países assinaram, nesta quarta-feira, protocolo de intenções com o objetivo de iniciar um processo de cooperação bilateral em ciência, tecnologia e inovação. Grupo de trabalho irá identificar áreas prioritárias de atuação

Brasil e Canadá assinaram nesta quarta-feira (21/3) um protocolo de intenções com o objetivo de iniciar um processo de cooperação bilateral em CT&I.
O acordo foi firmado por representantes dos governos dos dois países, em São Paulo, após a abertura do Fórum Canadá-Brasil de Cooperação em Ciência, Tecnologia e Inovação.
A programação do evento, organizado pela embaixada do Canadá e pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), prossegue nesta quinta-feira.
Segundo o secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do MCT, Luiz Antonio Rodrigues Elias, o protocolo prevê a formação imediata de grupos de trabalho envolvendo atores-chave de setores apontados como focos de interesse e expertise em ambos os países.
"O objetivo do protocolo é estabelecer o intercâmbio entre Brasil e Canadá em ciência, tecnologia e inovação, com participação, portanto, da indústria. O grupo de trabalho vai elaborar procedimentos, definir áreas prioritárias e aprofundar o conhecimento do que está sendo feito em cada país. A partir daí poderemos construir contratos ou posições mais formalizadas", disse Elias à "Agência Fapesp".
O secretário declarou que, ao firmar o protocolo, os dois governos sinalizam para o envolvimento de todos os atores relacionados à ciência, tecnologia e inovação.
Espera-se que, ao apontar os focos de interesse, sejam formados núcleos voltados para a ciência e núcleos voltados para o intercâmbio para inovação dentro da indústria.
"O protocolo se reveste de uma importância muito grande no sentido do intercâmbio não só para capacitação de recursos humanos nos dois países, mas no intercâmbio em algumas áreas específicas de interesse, como por exemplo os biocombustíveis", declarou.
A parceria na pesquisa e no desenvolvimento de biocombustíveis também foi mencionada como um dos principais focos identificados previamente pelo conselheiro nacional de Ciência e Tecnologia do governo canadense, Arthur Carty.
"O Brasil tem imensa expertise na área, sendo reconhecido como um líder mundial no desenvolvimento e implementação de veículos flex. O Canadá tem excelente tecnologia em etanol de celulose e biodiesel a partir de biomassa. Os grupos de trabalho serão uma grande ferramenta para detectar os interesses comuns e complementares, tendo em vista focar num programa de cooperação mais objetivo", disse Carty à "Agência Fapesp".
Segundo Carty, o Canadá estabeleceu a meta de substituir, até 2012, 2% de todos os combustíveis pelo biodiesel. A meta exige que a produção canadense aumente 40 vezes. Já a produção de bioetanol teria que crescer três vezes, para 2,1 bilhões de litros anuais, para atingir a meta de 5% no total de gasolina consumida até 2010.
"Mesmo nessa área em que o Brasil está numa fronteira tecnológica, é preciso estabelecer um procedimento de conhecer o que os outros países estão fazendo e ter um intercâmbio bem estruturado para que se possa não só estabelecer as tecnologias que vêm do exterior, mas também criar rotinas de pesquisa permanente", disse Elias.

Salto em inovação
Para Elias, o Brasil se encontra num momento intermediário do desenvolvimento científico e tecnológico e tem elementos que deverão propiciar um salto em inovação. Por isso, o momento é extremamente propício para a cooperação internacional.
"Não se trata apenas do Canadá. O Brasil tem firmado protocolos e memorandos de entendimentos com muitos países, seguindo um eixo estrutural muito bem definido não só pelo MCT, mas também pela Casa Civil, no sentido de identificar oportunidades", disse.
O secretário afirma que as parcerias serão potencializadas com um um grande aporte de recursos do MCT nos próximos quatro anos, que deverá chegar a R$ 7 bilhões dedicados exclusivamente à ciência, tecnologia e inovação.
"Conseguimos um equilíbrio das contas públicas que permitirão o gradual descontingenciamento dos recursos para a área de ciência e tecnologia. Buscamos parcerias não só com outros países, mas com instituições fortes dentro da área do mercado de capitais. Com a subvenção econômica, o governo sinaliza para o mercado que está disposto a participar do risco tenológico", declarou.
Para Carty, as diferenças de expertises e avanços no Brasil e Canadá tendem a trazer benefícios para os dois países. "Já citamos a força do Brasil na área de bicombustíveis. Ambos os países são desenvolvidos no setor de informação e comunicação. Nós, por outro lado, somos fortes na área espacial, que interessa a vocês, além das ciências da vida e da área ambiental que inclui hidrogênio, ciências do clima, oceanografia e sensoriamento remoto", afirmou.
Carty diz não haver dúvida quanto às contribuições da cooperação internacional para a ciência mundial.
"O novo modelo de ciência e tecnologia exige que os países trabalhem juntos. O Canadá produz 4% do conhecimento do mundo. Portanto, 96% vêm de outros lugares. Temos que estar preparados para trabalhar e colaborar. O primeiro passo é exatamente o que estamos dando aqui — saber o que está acontecendo, quais avanços estão em andamento, que tecnologias estão sendo desenvolvidas".

(Agência Fapesp, 22/3)