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Cooperação brasileira com pesquisadores irlandeses ganha reforço com a assinatura de 13 acordos entre FAP e Science Foundation Ireland

Publicado em 02 junho 2015

Treze fundações de apoio à pesquisa (FAPs) demonstraram interesse em trabalhar em parceria com cientistas irlandeses no Fórum Nacional da Confap (Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa), semana passado. Um grupo de pesquisadores irlandeses participou da reunião de presidentes das fundações, em Brasília, na última terça, dia 26.

O grupo foi conduzido pelo Research Brazil Ireland (RBI), uma iniciativa do governo da Irlanda para promover e apoiar pesquisas entre os dois países.

Durante o evento, os treze presidentes validaram seus planos de realizar pesquisa colaborativa com o Science Foundation Ireland (SFI) ao firmar um acordo de adesão ao memorando de entendimento assinado entre SFI e Confap durante a 1ª Semana da Ciência Brasil Irlanda, realizada em Dublin, capital da Irlanda, em fevereiro. Outras agências que participaram do Fórum também se mostraram dispostas a assinar o mesmo documento.

Esta nova cooperação entre Irlanda e Brasil se soma aos acordos já existentes entre o país europeu e a Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) e CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), além do acordo entre SFI e Faperj (Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro), também firmado durante a conferência em Dublin.

Os presidentes Sergio Gargioni, do Confap; Augusto Raupp, da Faperj; e Celso Lafer, da Fapesp, foram à Irlanda para participar da conferência de uma semana, Pesquisa Colaborativa para um Futuro Melhor, ao lado de mais de 80 pesquisadores seniores de 10 estados brasileiros, da Paraíba ao Espirito Santo, do Ceará ao Paraná.

Paul Smith, chefe da Secretaria de Relações Internacionais da Dublin City University (DCU), principal universidade integrante da Research Brazil Ireland, disse estar muito impressionado com o interesse das agências brasileiras de fomento à pesquisa em se comprometer com o seu país. “A quantidade de pesquisadores que foram até a Irlanda participar da conferência em fevereiro foi um grande sinal do interesse que existe em desenvolver pesquisas importantes em conjunto com o nosso país. Nós estamos entusiasmados ao ver a sinergia que existe entre os nossos laboratórios irlandeses de excelência com seus respectivos pesquisadores aqui no Brasil”, disse.

Durante o Fórum Nacional do Confap, o professor Gargioni falou da sua visita à Irlanda. O presidente do conselho contou ter ficado muito impressionado com o progresso do país em pesquisa científica em um espaço de tempo relativamente curto, particularmente na área de inovação. A maioria das universidades irlandesas possui centros de inovação altamente desenvolvidos e seus pesquisadores têm mantido uma relação muito saúdavel com a indústria, apoiada por várias iniciativas do governo irlandês. Uma delas é a Enterprise Ireland, que oferece investimentos para garantir a continuidade destas parcerias. O professor teve a oportunidade de visitar o premiado Hothouse, Centro de Inovação e Transferência de Tecnologia do Dublin Institute of Tecnhology (DIT).

O professor Gargioni também afirmou aos colegas do Fórum que há muito para aprender com a experiência irlandesa de investimento em educação e pesquisa, elogiando ainda a abordagem “prática e realista” de pesquisadores e agências governamentais irlandesas.

O professor Augusto Raupp, presidente da Faperj, também parabenizou a iniciativa da RBI e sugeriu que a 2ª Semana da Ciência Brazil Irlanda seja sediada no Brasil, em 2016. Piero Venturi, chefe do setor de ciência, tecnologia e inovação da Comissão Europeia, sediada em Brasília, elogiou a Irlanda por manter o Brasil como um país parceiro de pesquisa. Dr. Venturi parabenizou a Research Brazil Ireland pela fantástica conquista que foi levar tantos pesquisadores brasileiros à Irlanda para a recente conferência e ofereceu apoio para futuras cooperações entre os países.

Dr. Venturi disse que o avanço nessa cooperação traz vantagem para todos os estados membros europeus que desejem cooperar com o Brasil. “A organização das redes de investigações entre Brasil e Irlanda dará oportunidades para a participação conjunta em programas europeus como um complemento para a atividades bilaterais entre Brasil e Irlanda. Basicamente, isso vai trazer mais parceiros brasileiros para Horizon 2020”, disse. O Horizon 2020 é um programa de financiamento com orçamento de 80 bilhões de euros. “A participação da Irlanda no Brasil com o objetivo de fortalecer a cooperação com cientistas brasileiros é benéfica de forma geral para a cooperação europeia com o Brasil”, concluiu.

Sarah O'Sullivan, diretora de colaborações internacionais da Research Brazil Ireland (RBI), também esteve presente no Fórum ao lado da Dublin City University, bem como pesquisadores da Waterford Institute of Technology (WIT), Dublin Institute of Technology (DIT), and Royal College of Surgeons Ireland (RCSI).

Durante sua apresentação no evento, a diretora encorajou as agências brasileiras de fomento à pesquisa a identificar áreas nas quais elas buscam colaborações para que a RBI possa ajudá-los a localizar parceiros ideais para os projetos. Reconhecendo as restrições fiscais no Brasil no momento, O'Sullivan incentivou todas as agências a continuar as conversas “vivas” entre Brasil e Irlanda. “Estamos abertos a todo tipo de colaborações. Seja envolvendo centros de pesquisas irlandeses e brasileiros, formando parcerias estratégicas entre os pesquisadores ou, ainda, fazendo visitas técnicas iniciais. O importante é que nós continuemos conversando e que ententamos as necessidades um dos outros”, disse. 

O'Sullivan destacou o trabalho do Irish Research Council (IRC), outra agência de fomento à pesquisa irlandesa, que tem expressado interesse em colaboração com pesquisadores brasileiros. Uma grande diferença entre as duas agências de fomento a pesquisa irlandesa, Irish Research Council e Science Foundation Ireland, é que, enquanto a primeira tem um conceito de ciência mais amplo, incorporando ciências sociais e humanidades, a segunda foca em matérias como física, química, bioquímica, etc.

Agências brasileiras que tenham assinado acordos com SFI estão convidados a entrar em contato diretamente com a fundação para discutir os próximos passos para colaboração com a Irlanda. Pesquisadores irlandeses presentes no Fórum Confap já têm colaborações ativas com pesquisadores brasileiros. O RBI reconhece a importâcia na colaboração entre Irlanda e Brasil, mas também projetos desenvolvidos dentro dos dois países. Grupos de trabalhos da RBI tendem a ter entre dois e três pesquisadores de cada país.

Um grupo de trabalho RBI em Trustworthy ICT (Information & Communications Technology), que é liderada por Waterford Institute of Tecnologia (WIT), inclui parceiros da Universidade de Brasília (UnB), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Instituto Nacional de Teleomunicações (INATEL), Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), e outros. O WIT tem estado envolvido em colaborações Irlanda-Brasil desde 2009. Durante sua apresentação no Fórum Confap, James Clarke do WIT disse que eles estão ansiosos para estabelecer um novo grupo de trabalho na área das ICT para a agricultura. “Nós estamos muito interessados em identificar os parceiros para o novo grupo de trabalho nesta área, pois é algo que é de interesse mútuo e benéfico para ambos países”, disse.

Dublin Institute of Tecnology (DIT) é a maior instituição de ensino superior da Irlanda com foco exclusivo em pesquisa “inspirada no uso”. Cientistas do DIT, junto com colegas no Maynooth University (MU), têm colaborado com pesquisadores no Brasil da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) na área da química inorgânica medicinal desde 2006. A colaboração foca na triagem e nas análises mecanicistas (desenvolvido pelo time brasileiro) com o objetivo de avaliar a eficácia dos complexos à base de metal (desenvolvido pelo time irlandês) para o tratamento de uma grande variedade de doenças.

O grupo de trabalho sobre agentes terapêuticos à base de metal (MBT) tem sua origem nesta colaboração. O grupo de trabalho RBI MBT é formado agora por pesquisadores irlandeses da MU, DIT, DCU, Institute of Technology Tallaght Dublin (ITTD) e brasileiros da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal Fluminense (UFF) e Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ).

A colaboração é focada no desenvolvimento de inovadores agentes biomiméticos e terapêuticos à base de metal. Ao final, a pesquisa poderá trazer avanços para o tratamento de uma série de doenças relacionadas à idade, como Alzheimer, Parkinson e Câncer, além de doenças patogênicas microbianas graves, incluindo infecções bacterianas, protozoárias and fúngicas, algumas das quais apresentam desafios específicos para a saúde pública no Brasil.

Pesquisadores da Ireland Royal College of Surgeons (RSCI) também destacaram suas colaborações existentes com a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e Universidade de São Paulo (USP).

Para mais detalhes, por favor, entre em contato com Sarah O’Sullivan através do e-mail: sarah@rbi.ie

Confira abaixo lista das FAPs que assinaram a adesão ao memorando de entendimento entre SFI e Confap.

Amapá
Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amapá (FAPEAP)
Amazonas
Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (FAPEAM)
Bahia
Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (FAPESB)
Espírito Santo
Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (FAPES)
Goiás
Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (FAPEG)
Pará
Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas do Pará (FAPESPA)
Piauí
Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado do Piauí (FAPEPI)
Maranhão
Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (FAPEMA)
Mato Grosso do Sul
Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul (FUNDECT)
Minas Gerais
Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico de Minas Gerais (FAPEMIG)
Rio Grande do Norte
Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Norte
Santa Catarina
Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (FAPESC)
Sergipe
Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Sergipe (FAPITEC