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Famato

Conviver com animais é um bom remédio

Publicado em 11 abril 2006

Zooterapia mostra que a companhia de cães, gatos e até escargots pode fazer bem à saúde. Pesquisadora apresenta técnicas durante o XXXIII Conbravet.

Que os animais fazem bem ao ser humano, todo mundo sabe. Mas aquilo que por muito tempo foi tratado como costume, hábito apenas, agora é objeto de pesquisa científica e tem dado grandes contribuições para a saúde humana. Trata-se da Terapia Assistida com Animais (TAA), que ganha cada vez mais adeptos no Brasil.
A zooterapia, como também é chamada a TAA, será tema de um dos mini-cursos do Conbravet. Acabou de pensar em cenas singelas de pacientes e cachorrinhos? Pois a pesquisadora Maria de Fátima Martins foi mais longe: resolveu que iria trabalhar também com escargots, moluscos conhecidos por seu uso na cozinha francesa. Era o ano de 2000 e o projeto, intitulado "Doutor Escargot", recebia o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo, a FAPESP.
Com o apoio, Maria de Fátima começou a visitar escolas e asilos levando escargots, pássaros, coelhos e, é claro, cães. Hoje, os grupos são acompanhados pela pesquisa e se tornaram parte da sala de aula, já que, desde o ano passado, a zooterapia é também disciplina dos cursos de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (USP), no campus de Pirassunga, no interior do Estado.
A equipe do Doutor Escargot é multidisciplinar: há terapeutas, psicólogos, fisioterapeutas e médicos veterinários. A principal técnica para ajudar os pacientes a interagir com os animais é a utilização de recursos lúdicos. "Para o idoso que não quer fazer exercício convencional, levamos o cachorrinho com uma guia e ele começa a andar. Levamos uma escova para ele pentear o pêlo do cão e, com isso, faz movimentos de braço", conta.
A interação com os bichos produz um efeito calmante no paciente. Para comprovar isso, a equipe mede a pressão arterial do idoso antes e depois do contato com os animais. "Naquele momento, a pessoa não se sente cobrada nem pressionada", explica.
Na escola, por exemplo, o trabalho com os cães pode ganhar espaço na grade curricular e levar ao desenvolvimento de outras atividades. Ao controlar o consumo de ração, por exemplo, a criança pode aprender a pesar os ingredientes. O aprendizado também aborda outros conceitos como a posse responsável, respeito às formas de vida e cidadania. Hoje, resultados como a melhora no aprendizado das crianças e ganho de qualidade de vida para os idosos não causam mais surpresa, mas continuam sendo ótimas recompensas para quem trabalha com a zooterapia.
Surgimento - A zooterapia foi criada nos Estados Unidos, na década de 60. "Um psicólogo levou o cão no consultório e percebeu que o paciente, uma criança, se abriu mais à sessão", conta a Maria de Fátima. No Brasil, a terapia começou a ser aplicada pela psiquiatra carioca Nisida Silveira, em meados da mesma década. Ela aplicou a TAA em pacientes esquizofrênicos em substituição ao choque elétrico.
Conbravet - Maria de Fátima Martins é médica veterinária, doutora em genética e melhoramento animal da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP em Zootecnia. O mini-curso "Zooterapia", ministrado por ela dentro do XXXIII Conbravet (Congresso Brasileiro de Medicina Veterinária), será aberto à participação de profissionais de outras áreas que tenham interesse na Terapia Assistida com Animais (TAA).