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B2B Magazine

Convergência que gera emprego

Publicado em 01 abril 2005

Por Florência Ferrer

Em pouquíssimos anos os celulares passaram de meros telefones que ficavam no console do carro (nos perdidos anos 80) a máquinas potentes que nos permitem enviar e receber e-mails, digitar textos, ouvir músicas, monitorar nossos filhos, jogar, navegar pela Internet, usá-lo como GPS etc. E o resultado da chamada convergência de serviços que veio para revolucionar ainda mais as formas de comunicação. E não deve haver nada mais primário no ser humano do que a busca de comunicação com os outros, a necessidade de desenvolver relações e sentir-se conectado a elas. Conexão, que palavra agradável e cheia de sentido! Conexão é também união, ligação, junção, nexo. E se há algo que nos mantêm vivos e nos ajuda a crescer é a agradável sensação de estarmos incluídos num determinado entorno, de estarmos ligados aos outros e nos sentirmos parte de um conjunto de relações. Essa "teia de relações" é que nos segura e nos dá noção de contenção, fazendo-nos pertencer a uma determinada parte do mundo. Melhorar e facilitar esse processo deve ter sido o gerador de demanda e, por isso, um dos motores do processo de desenvolvimento dos celulares transformando-o numa peça indispensável em nossas vidas. O crescimento do uso do celular é surpreendente: mais de 45% cada ano.
Porém, queria olhar esse processo a partir dos impactos indiretos gerados. Muitos culpam à tecnologia como geradora de desemprego já que reduziria a necessidade de mão-de-obra. Mas novos mercados também são gerados a cada dia. Por exemplo, o de ringtones, que em plena infância rendeu nos Estados Unidos 217 milhões de dólares em 2004. Era um mercado que não existia anos atrás. Junto com ele virão outros para atender ao enorme potencial que a convergência traz. Os.toques musicais são só o começo, pois já se vendem videoclipes, clipes de televisão, babá eletrônica e localização de usuário.
Para um setor que conhecemos com mais profundidade, o setor público, acontece o mesmo. As pessoas que hoje não são mais úteis no processo de compras do Estado, cada vez mais simplificado pelo uso das compras eletrônicas, podem ser realocadas nas novas atividades que geram esse processo, o que conhecemos como m-Gov ou uso do celular como meio do e-Gov. Agendar e confirmar consultas médicas pelo celular, avisar aos agricultores a chegada de geadas, mandar informativos de multas ou pagamentos, confirmar cadastros etc..
É claro que as pessoas que são deslocadas pela incorporação de TICs não estão necessariamente preparadas para os novos mercados, mas aqui uma vez mais entra a necessidade de políticas públicas que direcionem e ajudem a orientar os seus cidadãos a essas novas atividades.
Com isso queremos mostrar que a tecnologia não só nos auxilia a ter uma vida mais produtiva, com mais conforto. Ela também pode gerar novos mercados e novas atividades econômicas.

Florência Ferrer é coordenadora do Ned-Gov (Fapesp-Fundap) e diretora-presidente de FF Pesquisa e Consultoria
www.florenciaferrer.com.br

*Colaborou neste artigo Galileu Vieira, diretor de tecnologia e de gestão internacional da Ned-Gov