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Controle de da Leishmaniose Visceral Canina (LVC) é tema de projeto da Unesp

Publicado em 15 outubro 2012

Jéssica Cristina Melice Gouveia, pós-graduanda da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da Unesp, Câmpus de Botucatu, desenvolve, sob orientação do professor José Rafael Modolo, projeto, com apoio da Fapesp, em parceria com a prefeitura de Lençóis Paulista, SP.

O objetivo é obter informações da população do município para auxiliar na elaboração de uma proposta de educação continuada em saúde, especificamente no controle da Leishmaniose Visceral Canina (LVC).

Foram aplicados, em outubro, 410 questionários sobre saúde aos donos de cães, distribuídos proporcionalmente a quantidade de cães vacinados nos postos de vacinação das campanhas de vacinação anual contra a Raiva de 2004 a 2009 realizadas em Lençóis Paulista referentes a cada uma das cinco regiões dos 30km2 da área territorial urbana do município, mantendo-se a proporcionalidade geográfica de cada bairro, para uma população municipal de 75 mil habitantes.

Um questionário sobre saúde pública veterinária é um instrumento de aproximação e vinculação entre os serviços de saúde e a população. “Ele é imprescindível para o estudo das situações específicas, relativas às ocorrências de uma enfermidade ou a um problema de saúde em particular.

Por meio de uma escuta qualificada, o questionário produz um conjunto substancial de dados de saúde que não podem ser obtidos pelos sistemas usuais de coleta de informação sobre saúde coletiva. Uma vez analisados, esses dados permitem conceituar o problema e decidir por uma orientação ou intervenção que seja mais precisa e direcionada”, explica Modolo.

“Os parâmetros analisados por meio da entrevista domiciliar serão, utilizados no planejamento para melhoria dos serviços de saúde pública já existentes objetivando um controle mais eficaz da enfermidade”, acrescenta Jéssica.

Para aplicação do questionário pelos 120 agentes comunitários de saúde, foi elaborado um manual do entrevistador para treinamento técnico, tendo como uma de suas funções esclarecer a importância dos agentes para o desenvolvimento do projeto, com a utilização de uma abordagem adequada para facilitar a compreensão, obtendo assim respostas confiáveis.

“O manual foi destinado à orientação dos agentes no trabalho de campo, auxiliando-os na correta realização das entrevistas, garantindo a precisão das informações coletadas. Esse material contém basicamente noções sobre a doença, técnicas de entrevista, abordagem e amostragem”, explica Jéssica.

A leishmaniose é uma zoonose, considerada um grande problema de saúde pública. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 350 milhões de pessoas estejam expostas ao risco de infecção, com registro aproximado das diferentes formas clinicas de dois milhões de novos casos ao ano. Atualmente, é endêmica em 88 países, podendo assumir formas graves e letais em seres humanos.

Na América Latina, a doença já foi descrita em pelo menos 12 países, sendo que 90% dos casos ocorrem no Brasil, apresentando mudanças importantes no padrão de transmissão, inicialmente restrito a ambientes rurais e periurbanos e, mais recentemente, atingindo também importantes centros urbanos. É endêmica em vários estados, tendo sido identificada em humanos em 19 dos 26 estados da federação. Foram descritos casos autóctones em aproximadamente 1.600 municípios.

No Estado de São Paulo, 29 municípios apresentam somente casos de Leishmaniose Visceral Canina (LVC) e 66 Municípios apresentam casos de Leishmaniose Visceral Humana e Canina autóctones. Já a presença do mosquito transmissor Lutzomyia longipalpis foi confirmada em um total de 125 municípios.

“Nessa situação, a educação em saúde torna-se uma poderosa ferramenta dentre as ações profiláticas, pois possibilita a reformulação de certos hábitos e costumes. Ela permite a aceitação de novos procedimentos que poderão contribuir para um melhor controle da enfermidade, pois mobiliza a comunidade em ações sanitárias preventivas pontuais e específicas”, acredita o professor da FMVZ.

Para Modolo, as atuações de saúde publica veterinária, quando realizadas na origem do problema, constituem procedimentos mais racionais e econômicos de proteção e manutenção da saúde humana, proporcionando, por consequência, melhor qualidade de vida para a população.

Em 2009, na 17a campanha de vacinação anual contra a Raiva do município de Lençóis Paulista, os alunos do quarto ano de Medicina Veterinária da Unesp de Botucatu receberam treinamento e aplicaram um questionário sobre saúde aos donos de cães acerca do conhecimento geral sobre a LVC, data em que não havia registro de casos positivos autóctones da enfermidade.

Já a partir de 2009, até setembro de 2011, houve o diagnóstico positivo de aproximadamente 122 cães do município. A partir disso, o mesmo questionário foi novamente aplicado, desta vez pelos 120 agentes comunitários de saúde, que receberam o mesmo treinamento técnico. O objetivo foi avaliar o grau de conhecimento dos donos de cães antes e após a ocorrência da enfermidade.

José Aparecido, Coordenador de Controle de Zoonoses do município, afirma que o que levou a Secretaria de Saúde a aceitar este trabalho em conjunto foi, primeiramente, a credibilidade adquirida por meio da parceria com a Fundunesp, para a realização, desde 1992, das campanhas de vacinação anual contra a Raiva em cães e gatos. “O município sente-se orgulhoso por também ter colaborado na premiação recebida pelo professor Modolo em 2010, pela Organização Pan-Americana de Saúde, da OMS, como coordenador do que foi considerado o ‘Melhor Evento da América Latina e Caribe”, diz.

Para ele, o estudo desenvolvido pela pós-graduanda Jéssica vai ao encontro do projeto de Marketing Social implantado no município pela Prefeitura, com muita força para influenciar a mudança de hábitos e costumes da população em beneficio da saúde preventiva. “Os Agentes Comunitários de Saúde, com o treinamento recebido, passarão a ater uma nova postura profissional tanto na coleta de dados como na transmissão de informações sobre saúde para a população, pois a nossa visão é sempre estar proporcionado educação continuada em saúde para todos de Lençóis Paulista”, comenta.

Integram ainda a equipe Rosângela Maria Giarola, Assistente de Suporte Acadêmico III do Laboratório de Saúde Coletiva, Departamento de Saúde Pública da Faculdade de Medicina da Unesp de Botucatu; Carlos Roberto Padovani, professor do Departamento de Bioestatística do IB da Unesp de Botucatu; e Cassiano Victória, co-orientador, professor do Departamento de Higiene Veterinária e Saúde Pública da FMVZ de Botucatu.

Assessoria de Comunicação e Imprensa