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Correio Popular (Campinas, SP) online

Controle biológico cresce e ganha força

Publicado em 23 julho 2020

Localizada na Fazenda Mato Dentro, em Campinas, a Unidade Laboratorial de Referência em Controle Biológico do Instituto Biológico (IB) do Estado de São Paulo completou 50 anos este mês, em plena expansão. É que o sistema — que usa tecnologia sustentável que permite a utilização de inimigos naturais para controlar pragas agrícolas, reduzindo ou eliminando o uso de agrotóxicos — vem experimentando crescimento vertiginoso nos últimos anos.

De acordo com o pesquisador do Instituto Biológico, José Eduardo Marcondes de Almeida, o último levantamento do mercado de biodefensivos aponta crescimento de mais de 70% em 2018 no Brasil, movimentando R$ 464,5 milhões ante R$ 262,4 milhões em 2017. Este resultado é considerado o mais expressivo da história do setor e supera o percentual alcançado pelo mercado internacional.

Segundo a Associação Brasileira das Empresas de Controle Biológico (ABCBio- CropLife), o uso de biodefensivos agrícolas como estratégia de controle biológico de pragas e doenças tem potencial de crescimento anual de 20%.

O Instituto Biológico é referência no Brasil e no Exterior em pesquisas científicas com controle biológico e atende, por meio do Probio, mais de 80 biofábricas de bioinsumos. "Atuamos na transferência de tecnologia e conhecimento às empresas de controle biológico de todo o País”, diz o pesquisador José Eduardo Marcondes de Almeida. “O Probio reúne as tecnologias e serviços prestados no Instituto, principalmente para as culturas da cana-de-açúcar, soja, banana, seringueira, flores, morango, feijão e hortaliças", acrescenta ele.

Segundo Almeida, no ano passado, o IB assinou 23 contratos para transferência de tecnologia e conhecimento em controle biológico com empresas localizadas em São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso e Paraná.

Por meio da seleção de fungo feita pelo Instituto, hoje é possível, por exemplo, controlar a cigarrinha-da-raiz, uma importante praga da cultura da cana-de-açúcar, com o uso de biodefensivos. Cerca de 1,5 milhão de hectares de cana-de-açúcar no Brasil já utilizam essa tecnologia do IB, gerando economia estimada em R$ 21 milhões por ano. O Instituto também isolou um fungo chamado de “Beauveria bassiana” para o controle de mosca branca na soja, usado hoje em três milhões de hectares plantados com a cultura em todo o Brasil. O volume de negócio com a utilização deste fungo chega a R$ 30 milhões por ano.

Desafios

Almeida afirma que os desafios do IB agora estão na produção de bioinseticidas em sistema de fermentação líquida e no desenvolvimento de metodologias de aplicação para a dispersão de esporos no ambiente, com o objetivo de maior permanência, aumentando a eficiência de controle de pragas em culturas perenes.

O Instituto também enviou em maio deste ano, um projeto para a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) na chamada Ciência para o Desenvolvimento, na área de bioprodutos voltados à agricultura tropical. Caso seja aprovado, o projeto, liderado pelo IB, contará, com a colaboração da Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual Paulista (Unesp), Universidade de Araraquara (Uniara), Faculdade de Tecnologia "Shunji Nishimura" de Pompeia (Fatec Pompeia), Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA), Instituto de Pesca (IP-APTA) e 13 empresas do setor de biocontroladores. A expectativa é que, ao todo, sejam investidos R$ 53 milhões nos cinco primeiros anos do projeto.

A Fapesp vai anunciar o resultado dessa chamada no final de 2020.

VANTAGENS DO CONTROLE BIOLÓGICO

A Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) — que é ligada ao Ministério da Agricultura — tem uma espécie de cartilha em que esclarece dúvidas e mostra as vantagens do controle biológico.

O que é controle biológico?

Controle biológico é definido como "o uso de organismos vivos para suprimir a população de uma praga específica, tornando-a menos abundante ou menos danosa". O termo "praga" é definido como sendo qualquer espécie, linhagem ou biotipo de uma planta, animal ou agente patogênico, daninho ou potencialmente daninho para os vegetais ou animais.

Como são feitas as pesquisas de controle biológico?

Para desenvolver as pesquisas, os cientistas reproduzem as relações que ocorrem entre os seres vivos na natureza em laboratório, da seguinte forma:

A primeira etapa é o levantamento e coleta de inimigos naturais no ambiente;

Na segunda, são desenvolvidos processos de isolamento, identificação, caracterização e avaliação da sua eficiência como agentes de controle biológico;

Na terceira etapa, são desenvolvidos produtos à base de agentes de controle biológico, cuja eficiência em campo e segurança biológica são avaliadas. Em muitos casos, esses estudos são realizados em parceria com outras instituições públicas e privadas e envolvem também ações de manejo do agroecossistema de modo a favorecer os inimigos naturais ali já existentes.

O que são agentes de controle biológico?

São insetos benéficos, predadores, parasitóides, e microrganismos, como fungos, vírus e bactérias com potencial patogênico sobre insetos-praga. Eles podem ser nativos do Brasil e exóticos (introduzidos de outros países)

Como saber se esses inimigos naturais são inofensivos à saúde humana e ao meio ambiente?

Os pesquisadores desenvolvem pesquisas com esses organismos para avaliar o seu potencial patogênico (capacidade de causar doença) nos organismos-alvo, ou seja, aqueles que causam danos às lavouras agrícolas e também sobre os organismos não-alvo, que podem ser outros insetos, animais e os seres humanos.

O controle biológico é uma boa opção para reduzir o uso de agrotóxicos no Brasil?

Sim, pois oferece soluções sustentáveis e biológicas com potencial de controlar pragas agrícolas, sem causar danos à saúde humana, de animais e ao meio ambiente

SAIBA MAIS

O controle biológico consiste no uso de inimigos naturais para diminuir a população de uma praga. "O Controle biológico pode ser definido como natureza controlando natureza", explica o coordenador da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), Antonio Batista Filho. Os agentes de controle biológico agem em um alvo específico, não deixam resíduos nos alimentos, são seguros para o trabalhador rural, protegem a biodiversidade e preservam os polinizadores.

Por Da Agência Anhanguera

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