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Medium (EUA)

Contribuição das pesquisas universitárias para enfrentar a pandemia

Publicado em 26 maio 2020

Por Sarah Sandrin

Pesquisadores direcionaram suas linhas de pesquisa para novas investigações com o objetivo de auxiliar a sociedade a conter o avanço da doença.

No contexto da pandemia do novo Coronavírus, a Organização Mundial de Saúde (OMS) tem coordenado e mapeado os esforços de pesquisa no mundo, reunindo cientistas no tema e identificando as prioridades de pesquisa. Mas, de maneira independente, as Universidades brasileiras têm desempenhado um papel crucial na compreensão da doença, seus efeitos e soluções.

O momento tem sido marcado pela rápida disseminação e aumento de casos e mortes, mas ainda existem muitas lacunas de informação e conhecimento. Os dados ainda são preliminares, não se sabem ao certo as taxas de letalidade, o potencial de transmissão, o tratamento, as sequelas no organismo dos que foram infectados e a distribuição geográfica do vírus, para citar alguns exemplos.

Até 12 de maio, segundo a Rádio EBC, 2.228 leitos normais e 489 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) foram disponibilizados pelos hospitais universitários. Há 823 pesquisas em andamento relacionadas ao combate à COVID-19.

A produção científica do Brasil durante a pandemia

Mesmo com as atividades presenciais suspensas, os pesquisadores e cientistas se mobilizaram para estudar a COVID-19. Pesquisas surgiram com o intuito de estimar, tanto os efeitos da doença na saúde da população, quanto os seus impactos econômico-sociais, além de dar suporte aos hospitais públicos.

Segundo dados da Web Of Science, divulgados pela Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (FAPESP), identificam as duas universidades estaduais paulistas e uma paranaense com o maior número de publicações sobre a doença no Brasil.

Em primeiro lugar, aparece a Universidade de São Paulo (USP) com 91 estudos publicados, seguida da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP), 32, e, por fim, a Universidade Estadual de Londrina (UEL), 21. No total, o Brasil está produzindo 217 publicações.

Disponível ao público de forma online e gratuita, o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict) criou uma plataforma na qual estão presentes 43 pesquisas vinculadas às Instituições de Ensino do Brasil.

Desde o início da pandemia, a maior dificuldade que o Brasil enfrenta é realizar testes na população. A Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) divulgou dados sobre a testagem no Brasil. Enquanto o número de testes realizado nos EUA é de 2 milhões, o Brasil realizou apenas 340 mil.

Por outro lado, diversas universidades estão se mobilizando para criar testes mais baratos e eficientes. Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) estão desenvolvendo um teste rápido capaz de confirmar a infecção em cinco minutos e 50% mais barato que as opções disponíveis no mercado. O teste é elaborado em parceria com a USP.

Segundo divulgação da Agência Brasil, o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Teranóstica e Nanobiotecnologia (INCT TeraNano), sediado na Universidade Federal de Uberlândia (UFU), também está desenvolvendo uma solução para testagem rápida de casos de covid-19 usando tecnologia que pode apresentar o resultado em 1 minuto. A expectativa dos pesquisadores é que essa solução fique pronta ainda no mês de maio.

Tratamento

Diversas pesquisas têm como tema o tratamento ou a redução dos danos da COVID-19. Uma das primeiras ações das Universidades públicas, estaduais e federais, foi o redirecionamento de seus leitos hospitalares às pessoas infectadas.

Os hospitais universitários da USP, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), da Unicamp, da UNESP e da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) ampliaram e somam dezenas de leitos de internação e de UTI, todos eles pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Além disso, a capacidade instalada dos hospitais foi pensada para atender à demanda da população mais carente.

Diversas Universidades também se empenharam para produzir o material hospitalar e farmacêutico que estão sendo mais utilizados no combate à doença, como respiradores e ventiladores pulmonares.

Laboratórios de Engenharia de diversas faculdades, como a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a USP e a UNESP se lançaram na busca do protótipo mais viável. Recentemente, um ventilador pulmonar emergencial criado por um grupo de engenheiros da Escola Politécnica (EP-USP) foi aprovado em testes técnicos e agora será enviado para aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

De acordo com a divulgação da USP, os testes do ventilador com humanos foram realizados com quatro pacientes nas dependências do Instituto do Coração (Incor) do Hospital das Clínicas (HC) entre os dias 17 e 19 de abril.

Legalmente, as Universidades são impedidas de utilizar suas verbas na produção de materiais. Entretanto, para auxiliar o combate à disseminação do vírus, o senador Veneziano Rêgo (PSB) apresentou o Projeto de Lei (PL) nº 1545/2020, autorizando Instituições de Ensino mantidas pela União a produzirem tais materiais.

Como medidas de combate ao Coronavírus, as Universidades públicas estão atuando fortemente na produção álcool em gel e máscaras, visando o abastecimento e a proteção dos profissionais da saúde, e, posteriormente, a distribuição para a população.

Na UFRJ, está sendo realizada uma ação conjunta entre as suas faculdades para produzir álcool 70% destinado às unidades hospitalares e à residência estudantil.

A Universidade Estadual do Centro-Oeste do Paraná (Unicentro) está produzindo álcool em gel com bebidas que foram apreendidas pela Receita Federal. A parceria existe desde 2009, mas, recentemente, foi intensificada.

A Universidade Federal de Pelotas (UFPel), junto com a Universidade Católica de Pelotas (UCPel), o Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSul) e a fábrica de refrigerantes Biri, estão produzindo aproximadamente 10 mil litros de álcool em gel que serão distribuídos, primeiramente, no Hospital Escola da UFPel (HEUFPel), Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e nos Restaurantes Universitários (RUs).

Além disso, a escassez de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) no Brasil põe em risco a segurança de profissionais da saúde. Pensando nisso, diversos pesquisadores começaram o desenvolvimento de máscaras de proteção viáveis.

Dentre as iniciativas, um grupo de pesquisadores da Universidade Federal do Piauí) (UFDPI) e Universidade Federal do Delta de Parnaíba (UFDPAR) desenvolveu uma máscara respiratória de bioplástico PLA, um material biodegradável, de baixo custo, reutilizável e que pode ser produzida em impressoras 3D domésticas.

Um novo procedimento adotado na UFSCar potencializa a produção de máscara tipo “face shields”. A partir de abril, a produção se dá em escala industrial: cerca de 6 mil novas máscaras por semana.

Pessoas Infectadas

Algumas Universidades têm desenvolvido pesquisas geográficas a fim de mapear o avanço e distribuição do vírus, uma medida para prever possíveis impactos e permitir que o sistema de saúde se prepare.

De acordo com dados do Ministério da Saúde, o país registrava mais de 363 mil casos confirmados da doença, sendo 82 mil só no estado paulista. A pesquisa é realizada pela USP, e tem o intuito de contribuir para que governos e população tenham maior capacidade de planejar medidas de combate à pandemia.

O isolamento social tem impactos diferentes na sociedade, pois situações agravantes como falta de saneamento básico, comum nas favelas de grandes cidades, aumentam o risco de contaminação e morte pelo COVID-19.

Esse é apenas um dos aspectos levantados por um grupo de pesquisadores da UEL, que escreveu um artigo intitulado “Riscos de espalhamento do vírus da COVID-19 em áreas de ocupação irregular em Londrina, PR”.

No dia 13 de abril, grupos de pesquisa da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo e da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) divulgaram o primeiro volume do boletim ‘Expressões da Pandemia’, documento que compila pesquisas científicas e representações literárias sobre a SARS-coV-2.

O intuito do boletim é produzir um espaço que promova a reflexão perante os estudos sobre a desigualdade social e o potencial emancipador em realidades sociais, históricas e territoriais brasileiras.

A Educação pública é um direito previsto na Constituição Federal. “A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”, consta no Artigo 205.

Sobre o funcionamento das Universidades públicas, a Constituição determina que elas tenham como base três eixos centrais: o ensino, a pesquisa e a extensão.

A extensão contempla a função de retornar o conhecimento produzido nas Instituições de Ensino Superior (IESs) para a sociedade, a partir de atividades de organizações e projetos de colaboração de discentes, docentes e servidores.

Por sua vez, a pesquisa reflete a evolução científica e sociocultural do Ensino, de forma a aprofundar um conhecimento já existente e buscando soluções, investigações e descobertas a partir de Iniciações Científicas (ICs) na graduação e projetos de programas de titulação acadêmica de pós-graduação.

Nos últimos anos, sobretudo no Governo Bolsonaro, as quantidades de bolsas-auxílio oferecidas por órgãos federais, Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) tem diminuído consideravelmente.

Também, sob a vigente presidência, a Universidade pública tem sofrido constantes ataques, haja visto, por exemplo, as manifestações ocorridas no ano passado em defesa da autonomia das IESs.

Atualmente, mesmo com os cortes, essas instituições?—?estaduais e federais -, estão na linha de frente, protagonizando as pesquisas, os estudos de compreensão e o controle do Coronavírus no Brasil. Como afirma o Ministério da Saúde no artigo “Por que pesquisa em Saúde?”

“O conhecimento e as ferramentas disponíveis nem sempre são adequados para resolver os problemas de saúde existentes e há uma necessidade constante e sem fim de gerar novas informações e desenvolver maneiras melhores, e mais efetivas, de proteger e promover a saúde e de reduzir as doenças. Isso tem sempre gerado um dilema para os formuladores de políticas: o de financiar pesquisas que podem eventualmente levar a intervenções aperfeiçoadas e melhores resultados, desviando recursos escassos da aplicação imediata do conhecimento existente.”

Revista Torta

Editado por Arthur Almeida, Eduarda Motta, Giovana Silvestri e João Vitor Custódio

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