Notícia

Revista da Semana

Contratam-se cientistas

Publicado em 13 novembro 2008

É comum a migração de pesquisadores de países em desenvolvimento para nações mais ricas em busca de bolsas de estudo e melhores condições de trabalho. Muitos acabam ficando. É a chamada "fuga de cérebros". Agora o Brasil inaugura a rota inversa. A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) deve publicar nos próximos dias um anúncio de emprego na revista científica britânica Nature atrás de estrangeiros interessados em trabalhar com biocombustíveis no Brasil, informa O Estado de S. Paulo.

A idéia é atrair talentos de fora para reforçar o Programa de Pesquisa em Bioenergia, lançado em julho, com uma verba de R$ 73 milhões. Ainda é pouco perto do apoio oferecido no exterior. Nos últimos dois anos diversas universidades americanas ofereceram 650 vagas para professores permanentes da área de bioenergia, em anúncios publicados nas revistas Nature e Science. Cada uma pagava, em média, US$ 3 milhões (o que totaliza US$ 1,8 bilhão) para o desenvolvimento dos projetos.

As bolsas das agências de fomento costumam ser nominais, ou seja, para o aluno já selecionado para um projeto específico. Desde o início do ano as verbas da Fapesp são direcionadas também para projetos, o que pode contemplar cientistas estrangeiros. "É um sinal de que o Brasil está entrando no mercado mundial de ciência e tecnologia para competir pelos melhores pesquisadores disponíveis", diz o pesquisador Marcos Buckeridge, do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo, um dos coordenadores do programa. "Estamos passando de fornecedores para importadores de cérebros."