Notícia

Jornal da USP

Contra o envelhecimento

Publicado em 18 agosto 2008

Pesquisa realizada no Instituto de Química encontra em algas substância que aumenta ação de antioxidantes

 

Estudo apresentado no Instituto de Química da USP identificou carotenóides, substâncias com atividade antioxidante, em cinco espécies de algas cultivadas comercialmente no Brasil. A pesquisa da farmacêutica Thais Guaratini mostra também que moléculas sintéticas de carotenóides, combinados com flavonóides, possuem maior atividade antioxidante, e poderão ser utilizadas em cosméticos e suplementos alimentares para prevenção do envelhecimento e de doenças causadas pela produção de radicais livres no organismo.

A pesquisadora identificou os carotenóides a partir do extrato de cinco espécies de algas. “Elas são cultivadas para a obtenção de agar e carragenana, substâncias empregadas pelas indústrias”, explica. “A idéia do trabalho é poder agregar valor a essas algas, descobrindo uma nova utilidade para os resíduos dos processos de extração.”

Thais realizou o isolamento biomonitorado dos extratos que apresentaram atividade antioxidante e identificou os compostos químicos que desencadeiam esse efeito, os carotenóides. “As algas são uma grande fonte desse composto”, conta. Em seguida, a farmacêutica desenvolveu metodologias para quantificar e caracterizar os carotenóides, por meio de estudos de cromatografia e espectrometria de massas.

Os carotenóides foram utilizados na produção de um composto sintético elaborado a partir da reação com flavonóides, que também possuem ação antioxidante, para potencializar a atividade de ambos. “Verificou-se que, quanto maior a cadeia poliênica dos carotenóides, ou seja, o tamanho da porção carotenoídica, maior será o efeito antioxidante”, destaca Thais.

Estabilidade – De acordo com a pesquisadora, os carotenóides apresentam um problema de estabilidade. “Dependendo da concentração e da tensão superficial de oxigênio, ele pode apresentar atividade pró-oxidante”, ressalta. “Por outro lado, a substância sintetizada apresentou atividade antioxidante potencializada e menor atividade pró-oxidante.”

As principais aplicações da substância potencializada estão na indústria de cosméticos, como antioxidante e fotoprotetor (filtro solar), e uso em suplementos alimentares. “Os antioxidantes são usados na prevenção do envelhecimento e de doenças relacionadas com o estresse oxidativo”, explica Thais. “Eles atuam na remoção de radicais livres, moléculas altamente reativas produzidas pelo organismo, mantendo a homeostasia celular, ou seja, o equilibrio das células do corpo.”

A substância sintetizada deverá passar por novos testes in vitro (realizados em culturas de células) e in vivo (feitos em animais) para avaliar sua atividade antioxidante e viabilizar uma futura aplicação comercial. “A maior parte dos carotenóides utilizados comercialmente é extraída de algas, inclusive eles já servem de base para alguns suplementos alimentares disponíveis no mercado”, conta a farmacêutica. A pesquisa de Thais é descrita em tese de doutorado apresentada no último mês de abril, com orientação do professor Pio Colepicolo Neto, do Instituto de Química, e financiamento da Fapesp e da Capes.

Parte dos estudos de espectrometria de massas, que identificaram os carotenóides presentes nos extratos de algas e seu comportamento químico, foi realizada em um laboratório na Inglaterra, com apoio da Pró-Reitoria de Pós-Graduação da USP. Esse trabalho foi complementado no laboratório do professor Norberto Peporine Lopes, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP) da USP. A molécula que combina carotenóides e flavonóides foi sintetizada durante um estágio da pesquisadora na Alemanha, financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).