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A Crítica (MS) online

Contato com outros coronavírus pode ter ajudado na queda da COVID-19 na Amazônia

Publicado em 28 julho 2020

Por Portal A Crítica e Agências

Pesquisa EPICOVID-19-BR, da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), do Rio Grande do Sul, indica o que poderia explicar a queda no número de mortes pela doença na região, após atingir de 25% prevalência de infecção

ELTON ALISSON | AGÊNCIA FAPESP – O contato anterior da população da Amazônia com algum dos subtipos de coronavírus que circulam na região pode ser uma das hipóteses pelas quais, após atingir 25% de prevalência de infecção pelo SARS-CoV-2, algumas cidades da região Norte do país começaram a registrar queda no número de mortes por COVID-19.

A avaliação foi feita pelo epidemiologista Cesar Victora, professor da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), do Rio Grande do Sul, e um dos coordenadores da pesquisa EPICOVID-19-BR, em debate on-line sobre o Brasil pós-pandemia da COVID-19, realizado no dia 17 de julho durante a “Mini Reunião Anual Virtual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC)".

O evento foi uma versão on-line e reduzida da 72ª Reunião Anual da entidade, que aconteceria de 12 a 18 de julho, na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), em Natal, cancelada em razão da pandemia de COVID-19.

“Os últimos estudos têm mostrado que já ter tido algum contato com algum coronavírus confere proteção ao SARS-CoV-2, que é uma mutação extremamente letal em comparação com outros coronavírus mais comuns”, disse Victora.

“Talvez isso explique por que a prevalência da infecção pelo novo coronavírus começou a cair depois de atingir 25% da população de cidades da região”, afirmou.

Coordenado pelo Centro de Pesquisas Epidemiológicas da UFPel, o EPICOVID-19-BR é um dos maiores estudos epidemiológicos do mundo sobre a prevalência de infecção pelo novo coronavírus. De acordo com Victora, já na primeira fase da pesquisa, realizada entre os dias 14 e 21 de maio, seis cidades amazônicas – Manaus e Tefé, no Amazonas, Macapá, no Amapá, e Breves, Castanhal e Tefé, no Pará – despontavam como as de mais alta prevalência do SARS-CoV-2 no país.

A segunda fase do estudo, que ocorreu entre os dias 4 e 7 de junho, apontou que, entre as 15 cidades com mais de 10% de prevalência, 12 estavam situadas ao longo do rio Amazonas.

“Foi surpreendente que a epidemia de COVID-19 no Brasil explodisse na região amazônica. Esperávamos que isso tivesse acontecido em São Paulo ou no Rio de Janeiro”, disse.

Uma das hipóteses, segundo Victora, é que o SARS-CoV-2 chegou às cidades amazônicas pela rota asiática, vindo diretamente da China, enquanto nas cidades do Sudeste do país o vírus chegou via Europa.

No Estado do Amazonas há uma forte presença de indústrias chinesas na Zona Franca de Manaus. O trânsito de pessoas vindas do país asiático – que foi o primeiro epicentro da doença – fez com que Manaus fosse a primeira cidade a registrar uma explosão de casos do novo coronavírus.

“Isso fez com que Manaus fosse mais fortemente impactada pela epidemia. São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza e Recife, onde o vírus chegou vindo de países da Europa, como a Itália e Espanha, foram os segundos epicentros da doença e para onde turistas brasileiros viajaram”, explicou Victora.