Estudos realizados por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) apontam que a presença de drogas está causando graves efeitos toxicológicos em animais como mexilhões-marrons, ostras de mangue e peixes, na região da baía de Santos. A contaminação foi identificada em análises feitas em 2017, durante um projeto apoiado pela Fapesp, que encontrou cocaína, ibuprofeno, paracetamol e diclofenaco em concentrações preocupantes na água superficial.
Os pesquisadores constataram que a cocaína apresentou um fator de bioacumulação mais de mil vezes maior nos mexilhões-marrons do que na água, evidenciando a gravidade da situação. Além disso, estudos com enguias expostas à cocaína mostraram impactos na formação de óvulos e na produção de hormônios esteroides, com menor taxa de maturação nos ovos expostos à substância.
Outro ponto de preocupação foi a análise do risco ecológico da exposição à cocaína em ostras de mangue, que revelou graves efeitos citotóxicos e genotóxicos. A Companhia Ambiental de São Paulo (Cetesb) afirmou que monitora a qualidade das águas costeiras do Estado, incluindo a região de Santos, mas a presença de drogas ainda representa um desafio ambiental a ser enfrentado.