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Diário de Suzano online

Consumo sustentável: uma saída contra o hábito de usar as sacolas plásticas

Publicado em 15 fevereiro 2009

Após o governo do Estado de São Paulo ter vetado, há um ano e meio, projeto de lei da Assembléia Legislativa que pretendia obrigar todo comerciante a usar sacolas plásticas erroneamente chamadas de ecológicas, novas discussões e pesquisas recentes, no Brasil e no exterior, vêm confirmar o acerto da posição defendida pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente.

Exemplo disso é um estudo dirigido pelo engenheiro de materiais e pesquisador da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Guilhermino José Macêdo Fechine, com recursos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), e divulgado no final de 2008 e início de 2009.

As pesquisas conduzidas por Fechine, que é especialista em biodegradação de polímeros, mais uma vez comprovam que o chamado plástico oxibiodegradável na realidade não é biodegradável, mas apenas acelera a fragmentação dos polímeros, que compõem os plásticos. Conforme explica o engenheiro Casemiro Tércio Carvalho, Coordenador de Planejamento Ambiental da Secretaria Estadual do Meio Ambiente (SMA), a tecnologia dos oxibiodegradáveis, com uso de aditivos químicos, acelera o esfarelamento do plástico em pequenas partículas, até desaparecer a olho nu. Não obstante, o mesmo continua presente na natureza.

Além disso, para o coordenador da SMA, a degradabilidade, por si só, não deve ser o foco principal. A degradabilidade, ou biodegradabilidade, no caso, segundo Tércio, implica no consumo integral dos fragmentos, por microorganismos no meio ambiente, decompondo-os em água e gás carbônico num curto período de tempo. “A degradabilidade é boa quando sob controle, como por exemplo, em processos de compostagem. Se o plástico não for reciclado e acabar em um aterro sanitário, não é bom que seja biodegradável, pois vai gerar gases do efeito estufa no curto prazo”, afirma.

Ele esclarece também que o processo, no aterro sanitário, ocorre de forma eficaz dependendo de fatores como temperatura, umidade e iluminação, entre outros. Além disso, devem ser consideradas na equação as velocidades de fixação e de emissão do carbono da e na atmosfera, respectivamente. Na realidade, conforme Tércio, o “x” da questão das sacolas plásticas depositadas nos aterros é o volume. Estima-se que o mundo utilize um milhão dessas sacolinhas por minuto. Em São Paulo, 18% do lixo é composto desse material.

Para o Coordenador de Planejamento Ambiental da SMA, as soluções para o problema dos resíduos sólidos passam obrigatoriamente pelo tripé Redução, Reutilização e – principalmente – Reciclagem, explicitadas nas diretrizes da Política Estadual de Resíduos Sólidos, atualmente em discussão. A idéia é que todos os produtos entrem em uma cadeia cíclica, retornando à cadeira produtiva. Em outras palavras, a saída correta reside no consumo sustentável.