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Correio Popular

Consumo de maconha avança entre estudantes

Publicado em 04 março 2000

Por RENATA CHUEIRE - ESPECIAL PARA O CORREIO - bahdur@cpopular.com.br
Depois do álcool e do tabaco, maconha é a droga mais consumida entre os estudantes de 6ª série ao 3º colegial em Campinas. Ao contrário dos índices registrados n^ maioria das grandes cidades brasileiras, nas quais os solventes ocupam o terceiro lugar, em Campinas já fizeram uso de maconha 20,6% (contra 13,6% de solventes) de um total de 2.287 jovens de sete escolas públicas e particulares analisadas na pesquisa da psicóloga Meire Soldera, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Os resultados, divulgados ontem, constituem a tese de doutorado "Uso de Drogas por Estudantes de 1º e 2º Graus em Campinas: Prevalência e Fatores Sócio-Demográficos, Culturais e Psicopatológicos Associados", orientada pelo professor Paulo Dalgalarrondo, do departamento de Psicologia Médica e Psiquiatria da Faculdade de Ciências Médicas, realizada em parceria com o Conselho Municipal de Entorpecentes (Comen) com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). De acordo com a pesquisadora, as constatações, embora referentes às sete escolas - cujos nomes não puderam ser divulgados -, refletem a realidade mais genérica da cidade. Meire se surpreendeu ao constatar que o uso de drogas entre alunos de escolas do centro da cidade era maior do que os da periferia. "Geralmente se pensa o contrário", disse. O trabalho revelou ainda que os jovens trabalhadores estão entre os que mais usam drogas, bem como os que não são ligados à religião. A idade média em que se inicia a experimentação das drogas é 12 anos. Com 13 anos, em média, experimenta-se tabaco. Com 12, o álcool e com 15, a maconha, solventes e cocaína. De acordo com Meire, os números correspondem aos índices médios internacionais. Os dados associam alguns fatores ao uso pesado de drogas entre os jovens: maior sofrimento psíquico, pior desempenho escolar, falta de apoio da família e pertencentes às classes de maior poder econômico (A e B). O trabalho poderá ser transformado em livro direcionado a professores. Servirá de base para a continuidade do projeto "Minha Vida Sem Drogas", do Comen. "Os dados são alarmantes", comentou o vereador Luiz Carlos Rossini (PMDB), presidente do Conselho. Será distribuído também a entidades que lidam com a recuperação de drogados. "Primeiro precisamos dimensionar a nossa realidade para depois combater o uso de drogas", considerou Meire. OS JOVENS E AS DROGAS 86,3% já fizeram uso de álcool 45,3% já fizeram ' uso de tabaco 20,6% já fizeram uso de maconha 13,6% já fizeram uso de solventes 8,6% já fizeram uso de cocaína 6,1% já fizeram uso de medicamentos 3,2% já fizeram uso de ecstasy 11,9% fazem uso pesado de álcool (mais de vinte dias por mês) Fonte: pesquisa da tese de doutorado Uso de Drogas por Estudantes de 1° e 2° Graus em Campinas: Prevalência e Fatores Sócio-demográficos, Culturais e Psicopatológicos Associados", da psicóloga Meire Soldera, da Unicamp