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Consumo de drogas ou álcool está ligado à 53% das mortes violentas, mostra USP (139 notícias)

Publicado em 27 de maio de 2026

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Dados coletados em necropsias revelam que cocaína predominou em homicídios e benzodiazepínicos apareceram mais em suicídios

Mais da metade das vítimas de mortes violentas em quatro capitais brasileiras tinha álcool ou drogas no organismo. A conclusão vem de um levantamento conduzido por pesquisadores da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (FCF-USP) , publicado na revista Toxics .

Ao todo, 3.577 casos foram analisados em Belém, Recife, Vitória e Curitiba : cidades escolhidas por representar as regiões Norte, Nordeste, Sudeste e Sul do país.

O biomédico toxicologista Henrique Silva Bombana , pesquisador de pós-doutorado na FCF-USP e primeiro autor do artigo, explicou que o objetivo foi produzir dados padronizados e comparáveis sobre o papel de substâncias psicoativas em mortes por causas externas no Brasil.

Segundo ele, as cidades foram selecionadas com base na taxa de mortalidade por causas externas e por serem pontos estratégicos da rota de tráfico de droga.

O levantamento mostrou que 90% das vítimas eram homens e 56% tinham 30 anos ou mais . Os homicídios responderam por 67% das mortes analisadas. Nos casos de homicídio, cerca de 85% resultaram de ferimentos por arma de fogo, conforme registros policiais.

A cocaína foi a substância mais encontrada, presente em 30% das vítimas. O álcool apareceu em 28% dos casos. Benzodiazepínicos — remédios para ansiedade e insônia — foram detectados em 7% , e a cannabis , em 2% .

As diferenças regionais também chamaram atenção. Recife apresentou maior prevalência de mortes ligadas ao álcool. Vitória e Belém concentraram mais casos associados a drogas ilegais. Em Curitiba , o álcool superou as drogas ilícitas.

Como os dados foram coletados

A coleta ocorreu entre 2022 e meados de 2024 . Equipes de quatro pesquisadores foram montadas e treinadas em cada uma das cidades para colher amostras de sangue durante necropsias, conforme descreveu Bombana. O projeto nasceu de um convênio firmado em 2020 entre a USP e a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos (Senad) .

Um dos desafios técnicos apontados pelo pesquisador envolve o álcool: se a amostra não for armazenada de maneira adequada, a substância pode se degradar e mascarar o resultado. Isso pode fazer com que os números reais sejam ainda maiores do que os registrados.

Para Bombana, o que se pode afirmar é a existência de sinais consistentes de risco. O tema, segundo ele, vem sendo discutido há pelo menos 30 anos sem solução consolidada. Os dados agora publicados buscam oferecer uma base mais sólida para políticas públicas voltadas à segurança e à saúde.