Notícia

Agência C&T (MCTI)

Consumindo serviços públicos e privados

Publicado em 01 março 2008

Por Florencia Ferrer

Em geral todos temos posturas diferentes, vestimos "máscaras" na nossa vida pessoal e profissional.

Assim como é muito difícil estar mal na vida pessoal e levar bem nossas tarefas profissionais, ou depois de uma briga em casa enfrentar algum desafio importante, é muito difícil separar o que realmente somos, nossa identidade, nos dois âmbitos.

Da mesma forma que somos uma unidade em relação à vida pessoal e profissional, também somos uma unidade como consumidores e cidadãos. Internamente não há divisão de nossas funções como consumidores e cidadãos. Alternamos nossas funções como amigos, trabalhadores, mulheres, maridos, pais e mães, filhos, funcionários, sócios, cidadãos, e tanto mais.

Consumimos serviços privados e serviços públicos, alternadamente, no nosso dia-a-dia e não temos como separar essas atividades. Por isso, precisamos ter governos que usem as mesmas interfaces e os mesmos mecanismos de comunicação que o setor privado usa.

Quem está preparando um casamento tem várias demandas, algumas públicas (cartório, certidões) outras privadas (festa, lua-de-mel, roupa), outras do terceiro setor (cultos religiosos). Se o cidadão é uma unidade e suas demandas são por evento de vida, o governo precisa nivelar a forma de relacionamento. E isso vai desde reunir num único portal de serviços as diferentes ofertas até usar interfaces de relacionamento similares.

O governo já presta alguns serviços públicos pela internet, mas tem de acelerar a quantidade e melhorar a qualidade deles. Usar cada vez mais mecanismos de comunicação como SMS, chats, e-mail, reserva ou execução de serviços, assim como faz o mercado.

A tecnologia, o meio, a interface, que hoje usamos para nos relacionarmos com o mundo refletem também na nossa unicidade. E comum usarmos dispositivos móveis para encontrar lugares, aplicativos, que nos mostram até o caminho para ir de um ponto ao outro. Os taxistas, que antes se comunicavam pelo rádio, hoje usam GPS que até "fala" onde tem de virar e a quantos metros está do local ao qual se deseja chegar. Quando viajamos, podemos brincar com nossos filhos a distância pelos diversos jogos interativos na internet.

Em vez de falar pessoalmente com amigos, usamos SMS, chat ou e-mail. A tecnologia invadiu de fato nossa vida cotidiana, transformando de vez as formas que usamos para fazer as coisas mais corriqueiras.

Estamos ajudando muitos governos a pensar como se adaptar e preparar para essas mudanças e se relacionar da mesma forma com o usuário de seus serviços, o cidadão. Quando precisamos do Estado ainda encontramos uma colcha de retalhos; quando precisamos usar algum serviço público ainda temos de entender se o que precisamos é da esfera municipal, estadual ou federal.

Que órgão nos vai fornecer o que precisamos, quais são as regras de funcionamento, horários e como nos vai entregar o serviço.

E, claro, nos sentimos injustiçados. Em geral, pagamos mais impostos do que achamos justo, recebemos menos do que queremos do Estado. Por isso, como cidadãos devemos ajudar o governo a melhorar, exigindo modernização e atualização permanentes. B2B

Florencia Ferrer é doutora em sociologia econômica, coordenadora do Ned-Gov (Fundap-Fapesp), e diretora-presidente da FF Pesquisa & Consultoria/ e-stratégia pública.

florencia@e-strategia.com.br