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Consultorias financiam os mais competentes

Publicado em 29 fevereiro 2012

Algumas empresas que atuam em mercados de trabalho concorridos, como é o caso das consultorias, investem em seus próprios funcionários. Bancam seus estudos com o caixa da empresa e, em troca, recebem de volta profissionais mais qualificados e mais bem remunerados em sua equipe por, no mínimo, dois anos. A Bain & Company e a AT Kearney estão inseridas nesse perfil. Ambas recrutam os melhores consultores em termos de desempenho, comprometimento e produtividade para oferecerem essa oportunidade.

O incentivo envolve o pagamento de cursos De MBA em faculdades americanas de renome como Harvard, Wharton, Kellogg, MIT, entre outras. Segundo Silvana Machado, vice-presidente da AT Kearney, o consultor se afasta mediante uma licença não-remunerada, mas pode levar o computador de trabalho e fazer estágios nos outros escritórios da consultoria ao redor do mundo. "Depois de dois anos, ao voltar do curso, retoma suas atividades na empresa com cargo e salário melhores". A AT Kearney desembolsa US$ 100 mil por curso. E a cada ano, manda em média quatro profissionais estudarem fora.

Jean-Claude Ramirez,um dos sócios-consultores da Bain & Company, diz que o MBA ganha importância nesta profissão. "Esse tipo de qualificação é valorizado pelas consultorias em todas as partes do mundo. Traz um embasamento teórico mais sólido, além de capacitar o profissional em marketing, liderança e operações". Em 2011, 15 profissionais da empresa desembarcaram em solo americano para dar início aos estudos. Esse número não para de crescer e, e a tendência, segundo Ramirez, é continuar o incentivo para o aumento dessas bolsas para os próximos anos.

Faculdades como o Insper e a FGV-SP possuem fundos de investimento para subsidiar bolsas de estudo para seus alunos. As porcentagens variam entre 20% a 100% e o aluno faz a restituição do valor após se formar e paga mensalmente, sem juros. O dinheiro retorna para o fundo

Recursos que subsidiam o conhecimento

Os incentivos à formação continuada no país utilizam vários canais de fomento educacional, como a Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), a Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), e o CNPq (Centro Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico). A Capes concedeu, no ano passado, 42.269 bolsas de mestrado, 26.108 de doutorado e 3.580 de pós-doutorado. Os valores variam de R$ 1,2 mil, para futuros mestres, a R$ 8,9 mil para professor visitante sênior. Entre 2003 e 2010, as áreas mais visadas pela Capes foram engenharia, educação, agronomia, ciências biológicas e letras. Estima-se novo aporte de mais de R$ 3,6 bilhões até 2020.

Ligada à Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia do governo paulista, a Fapesp tem um orçamento correspondente a 1% do total da receita tributária do estado. Suas bolsas contemplam estudantes de graduação e pós-graduação e pesquisadores, e são oferecidas por três linhas de financiamento: regular, que atende a demanda de projetos apresentados por estudantes de graduação, pós-graduação e de pesquisadores doutores; programas especiais e de pesquisa para inovação tecnológica. Além disso, possui convênio com algumas instituições de ensino estrangeiras para intercâmbios. De acordo com a fundação, os projetos são avaliados por pesquisadores em atividade no Brasil e no exterior, conforme a área de conhecimento. Ao todo, a Fapesp forneceu mais de US$ 109 milhões em bolsas de estudo em 2011. No CNPq, que também estende suas bolsas à graduação, pós-graduação e doutores, os créditos concedidos são divididos em duas partes: bolsas individuais, para o Brasil ou exterior, e bolsas por cotas. No primeiro caso são solicitadas diretamente ao centro, e na segunda modalidade, via instituição de ensino, que faz a avaliação da concessão do fomento de acordo com suas regras. Os valores variam de R$ 550 a R$ 14 mil.

Algumas instituições educacionais concedem bolsas de ensino por meio de recursos próprios ou se associam a algum banco. No Insper, o estudante de graduação pode se beneficiar de ambas as opções. A escola possui um fundo de capital - hoje de R$ 850 mil - composto por 1% da receita obtida com o pagamento das mensalidades da graduação e por doações de empresas, pessoas interessadas e ex-alunos. A bolsa varia de 20% a 100%. Segundo Cassia Rebollo, analista de relacionamento institucional da faculdade, o grande diferencial está na análise prévia dos dados do aluno, que já sabe se terá direito à bolsa ao fazer a matrícula. Os critérios envolvem análise financeira do estudante e histórico escolar. Ao final do curso, a restituição do crédito é feita sem juros e se estende de quatro a oito anos. Na FGV-SP, os alunos de pós-graduação contam com a possibilidade de financiamento do Bradesco por mais 24 meses.

Estudante começa o reembolso depois de obter emprego

O economista Paulo Landim, 22 anos, foi um dos beneficiados pela bolsa de estudos do Insper. Sem condições financeiras para bancar as mensalidades, conseguiu uma bolsa de 80%. Passou a desfrutar do incentivo a partir do segundo semestre do curso e, após um ano de formado e já posicionado no mercado de trabalho, irá começar a devolver o valor concedido para a faculdade em seis anos, sem juros. Como Landim tem planos de fazer um MBA no exterior em 2013, negociou e obteve do Insper flexibilidade para interromper o pagamento enquanto estiver fora, retomando na volta.