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Constant: o influenciador do século 19 explica o que é liberalismo

Publicado em 06 setembro 2019

Como um discurso de meados do século 19 pode ser alvo de estudo nos dias atuais? Diante da multiplicação de críticos da realidade política e social nas redes sociais, como um escritor do século passado tem sua obra ainda viva e atual? Se o mundo mudou tanto e temos acesso à informação na palma da mão, porque retomar a leitura de um texto tão antigo?

A leitura do livro A liberdade dos antigos comparada à dos modernos, publicado no Brasil pela Editora Edipro, do político francês Benjamin Constant, é obrigatória para quem deseja compreender o liberalismo político, econômico e social. O discurso, pronunciado no Ateneu Real de Paris, em 1819, é um verdadeiro panfleto da doutrina liberal no mundo, que defende os direitos e a liberdade individual do cidadão.

Benjamin Constant foi um escritor muito influente no fim do século 18 e o início do 19 e, certamente, um dos maiores responsáveis pela consolidação dessa corrente política. Apesar do nome “liberalismo” ter se consagrado apenas um pouco depois da sua produção teórica e literária, o termo agrega aquilo que já vinha se constituindo como uma corrente política na época.

“Para o nosso autor, a humanidade estaria trilhando o caminho de um processo histórico em direção à igualdade, sobre os destroços das instituições do passado que estabeleciam, afinal, uma divisão social entre dominantes e dominados”, analisa o professor de teoria política da Universidade de São Paulo (USP), Christian Jecov Schallenmüller, que assina o prefácio da obra.

Como herdeiro do Iluminismo, Constant acreditava na ideia de um progresso da humanidade e que os cidadãos da sociedade moderna estariam divididos pelo conflito econômico e social. Porém, como sujeitos políticos, passariam a ser encarados como indivíduos iguais com o mesmo status. Para o político francês, o que moveria a aventura humana na história seria justamente o desejo de alcançar a perfeição. E que a derrubada de privilégios que, historicamente, formalizavam a desigualdade, resultaria em nações cada vez mais complexas e refinadas.

Ficha técnica:

Editora: Edipro

Assunto: Filosofia/História/Política

ISBN: 978-85-521-0078-2

Edição: 1ª edição, 2019

Tradução: Leandro Cardoso Marques da Silva

Páginas: 80

Preço: R$ 37,00

Sinopse: Obra que celebrizou Henri-Benjamin Constant de Rebecque, A liberdade dos antigos comparada à dos modernos contrapõe os paradigmas de liberdade individual, principalmente da Roma Antiga e da Inglaterra do século XIX. Constant busca um modelo prático de liberdade que possa ser aplicado a sociedades comerciais de enormes proporções. Escrito em 1819, este discurso de Constant coloca a liberdade dos antigos como uma soberania social plena, com participação direta do indivíduo nas decisões políticas, mas sem levar em conta seus direitos individuais. Já a liberdade moderna é colocada como a extrema valorização dos direitos individuais, ainda que implique na perda da soberania política plena, uma vez que o indivíduo abre mão desta ao eleger um representante de seus interesses. Obra essencial para a compreensão dos direitos de participação política, A liberdade dos antigos comparada à dos modernos é um clássico do direito e da filosofia para estudantes, teóricos e todos aqueles interessados no tema.

Sobre o autor: Henri-Benjamin Constant de Rebecque (1767-1830) pensador, escritor e político francês de origem suíça, Benjamin Constant foi um intelectual de destaque na segunda metade da Revolução Francesa, líder da oposição conservadora-liberal. Teorizou um modelo de Monarquia Constitucional que influenciou o desenvolvimento do governo parlamentarista francês e de outras nações, incluindo o Brasil – em que o Imperador assumia o Poder Moderador, mas não o Executivo. Como pensador, tinha especial preocupação com o desenvolvimento moral individual, tendo sido influenciado fortemente por filósofos como Jean-Jacques Rousseau e Immanuel Kant.

Sobre o prefaciador: Christian Jecov Schallenmüller é pós-doutorando em Relações Internacionais pela Faculdade de Ciência Política da Universidade de São Paulo e bolsista da Fapesp.

Sobre o tradutor: Leandro Cardoso Marques da Silva é bacharel em Filosofia e mestre em Filosofia Francesa Contemporânea pela Universidade de São Paulo.

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