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Metal Mecânica

Consórcio visa aumentar competitividade em motores

Publicado em 01 dezembro 1999

Um consórcio para fomentar o desenvolvimento de máquinas elétricas e a formação de recursos humanos, envolvendo o IPT, a Escola Politécnica da USP, fabricantes de motores elétricos (incluindo moto-compressores) e siderúrgicas deverá ser lançado em março de 2000. Idealizado pelo Laboratório de Metalurgia do Pó e Materiais Magnéticos do IPT, em conjunto com o LMAG-Laboratório de Eletromagnetismo Aplicado do Departamento de Engenharia de Energia e Automação Elétrica da Escola Politécnica da USP, o consórcio foi apresentado em outubro, no seminário "Equipamentos Elétricos para o Ano 2010", e vem despertando interesse. A Abinee, entidade que representa a indústria elétrica e eletrônica do País, já encampou a idéia e começa a discutir as formas de participação com as associadas, conforme Fábian Yaksic, gerente do Departamento de Tecnologia e Política Industrial da Abinee. As siderúrgicas ainda não se decidiram pela participação, mas também se mostram interessadas, porque os aços para finalidades eletromagnéticas (aços elétricos) são de alto valor agregado, embora a demanda por estes represente apenas 1% da produção mundial de aços. Das 700 milhões de toneladas de aços produzidas anualmente, 7 milhões de toneladas são aços elétricos. No Brasil, são produzidos 25 milhões de toneladas de aços, sendo 300 mil toneladas de aços elétricos. Apesar da demanda pequena, produzir aços elétricos é importante para qualquer siderúrgica na medida em que ter domínio tecnológico para fabricá-los reflete maior capacitação. "Produzir aços para finalidades eletromagnéticas é um indicador de qualidade, significa que a siderúrgica tem tecnologia", comenta Fernando Landgraf, pesquisador do IPT na área de Materiais Magnéticos. Além disso, a tendência observada na literatura internacional é o uso de novos aços para motores de maior rendimento (maior permeabilidade e redução de silício sem aumentar perdas), segundo o pesquisador do IPT. "Busca-se um melhor entendimento do efeito das tensões de compressão na chapa e investigação dos efeitos do acionamento eletrônico", comenta. Para Landgraf, "este é o maior desafio para a futurologia do segmento de motores: a entrada do acionamento eletrônico pode trazer alterações profundas do projeto dos motores e nos insumos e processos produtivos dos materiais para motores". A tendência é a de as siderúrgicas ofertarem maior quantidade de aços de maior permeabilidade magnética, destinados especialmente para motores de menor porte, onde as perdas no cobre são mais significativas, e vem sendo detectada nos últimos anos. Conforme Landgraf, pelo menos três siderúrgicas instaladas no Brasil afirmam desenvolver atividades nessa direção. Do lado das fabricantes de motores, porém, a questão ainda gera alguma discussão. A Embraco afirmou no evento que os novos motores a imã permanente não necessitam de aços de alta permeabilidade. Assim, é do interesse da empresa saber se é possível projetar aços de menor custo, sacrificando a permeabilidade. O interesse da Abinee - e por extensão de seus associados - é encontrar neste consórcio soluções para manter a indústria de equipamentos elétricos cada vez mais competitiva, para conquistar maior mercado, incluindo o internacional, já que o segmento tem um peso significativo na pauta de exportações. "O Brasil deve estar entre os cinco maiores produtores de motores elétricos, incluindo moto-compressores", afirma Yaksic. Para se ter uma idéia, dados da Abinee mostram que as vendas externas de moto-compressores herméticos totalizou, em 1998, US$ 405,5 milhões e motores e geradores US$ 175 milhões, o que confere aos dois segmentos o primeiro e o quinto postos, respectivamente, na pauta de exportações do setor eletroeletrônico brasileiro. Yaksic informa ainda que nos três primeiros trimestres de 1999 foram produzidos 4,5 milhões de unidades de motores elétricos monofásicos e 5,4 milhões de unidades de motores trifásicos. Assim, pela importância do segmento, se poderá também pleitear recursos junto às agências de fomento estaduais e federais (Fapesp - Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, BNDES-Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social etc.) para viabilizar o consórcio, cujo investimento necessário é estimado em R$ 5 milhões, desembolsáveis no prazo de cinco anos. Uma parte dos investimentos seria bancada pelos consorciados e o restante pelas agências. O consórcio - O objetivo do consórcio é realizar pesquisas na área de motores elétricos enfocando a redução de custos e o aumento da qualidade, pois o mercado se mostra cada vez mais competitivo. Assim é interessante ter instituições, como IPT - considerado o melhor centro de competência na área de aços elétricos, e Poli, cuja competência no segmento de modelamento matemático em máquinas elétricas é reconhecida. Apesar disso, muitos ainda se mostram preocupados com detalhes da formação deste consórcio, especialmente no que tange à propriedade industrial, pois no consórcio haverá a participação de diversas empresas, incluindo concorrentes.