Notícia

Gazeta Mercantil

Consórcio estudará recuperação de pastagem

Publicado em 18 setembro 2001

Por Yodon Guedes - de Porto Velho
Um estudo de recuperação de pastagens será iniciado no próximo mês na Fazenda Nova Vida (250 quilômetros ao Sul de Porto Velho), por um grupo de 15 pesquisadores de um consórcio que envolve empresas e órgãos públicos de diversos países. Integram o consórcio a Agência Espacial Americana (Nasa), o Institute de Recerche pour le Development (IRD) da França, o Ecosystem Center - Words Hole dos EUA, a empresa americana de herbicidas Dow - Agroscience, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a Secretaria de Agricultura, Produção e Desenvolvimento Social (Seapes), e Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). A Fazenda Nova Vida, do pecuarista João Arames, tem cerca de 20 mil hectares, um plantel bovino de 25 mil cabeças e vem sendo utilizada por pesquisadores para realizar estudos há mais de dez anos com 30 trabalhos sobre melhoria genética, solos, publicados para a comunidade científica de vários países do mundo, segundo informa o titular da Seapes, Miguel de Souza. O coordenador da pesquisa é o professor Carlos Cem, doutor em biogeoquímica ambiental do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena) da Universidade de São Paulo (USP). Segundo ele, os experimentos serão conduzidos por oito doutorandos, chefiados por ele e os pesquisadores do consórcio. Serão vários experimentos em áreas de 3,4 hectares para testar técnicas de gradagem, fixação biológica de nitrogênio no solo com soja inoculada, plantio de arroz na técnica cach crop (como compensação para pagamento de fertilizantes), e uso de herbicidas para testar quais desses procedimentos apresentam melhor desempenho no tratamento de pastagens de baixa produtividade. O experimento terá duração de três anos e o resultado será publicado no meio científico e estará à disposição pública. A pesquisa servirá para os produtores no Estado que detém um plantei de 7,1 milhões de cabeças e, segundo Miguel de Souza, precisam de novas tecnologias de baixo custo para recuperar e melhorar áreas de pastagens. O experimento com soja inoculada, segundo explica o professor Cerri, tem o propósito de se evitar o uso de adubo mineral e com isso reduzir custos na pastagem. O princípio desse experimento, consiste em inocular numa variedade de soja a bactéria rizopium. "As plantas retiram nitrogênio para fabricação de proteínas. A bactéria convive na raiz e vai retirar o nitrogênio do ar e libera para fixar na planta assim que morre e com isso se evita o uso de adubo mineral a base de nitrogênio", explica o processo de fixação biológica do nitrogênio. Serão testadas técnicas de gradagens sem aplicação de insumos, uso de herbicidas, o plantio compensatório do arroz para avaliar quais das técnicas estarão suscetíveis à erosão e até a emissão de gases na atmosfera. Para dar sustentação ao projeto, a Fazenda Nova Vida está disponibilizando seu laboratório e alojamento e os técnicos serão custeados por suas instituições. Ao todo, estima-se em US$ 300 mil a execução do estudo.