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Consórcio criará primeira cooperativa de dados do país

Publicado em 23 junho 2020

Por Daniel Azevedo Duarte

Um consórcio de atores públicos e privados visa criar a primeira cooperativa de dados do Brasil com objetivo de mudar o paradigma da agricultura digital no país.

A iniciativa reúne a UEL (Universidade Estadual de Londrina), a Fundação Shunji Nishimura e o AgroValley de Londrina, entre diversas outras instituições, e mira alto com o propósito de inaugurar a fase “biodigital” da agropecuária.

Londrina já abriga um Centro de Inteligência Artificial e um ecossistema de inovação ativo no setor

“Temos 65% da biodiversidade do mundo em áreas tropicais. Se comparamos com petróleo, o Brasil é uma espécie de Arábia Saudita da biodiversidade. O futuro da agropecuária é o conhecimento biodigital”, introduz Tsen Kang, diretor de Pesquisa da Jacto.

Para isso, o consórcio criará um grande banco de dados (data lake) compartilhado e acessível sobre “como a natureza funciona” a todo tipo de interessados, como seus integrantes, agtechs, empresas e produtores.

A participação de Londrina é chave já que a cidade já abriga um Centro de Inteligência Artificial inaugurado no ano passado, além de um ecossistema de inovação ativo, o polo de inovação chancelado pelo Mapa e instituições de pesquisa e acesso a grandes volumes de dados no setor.

“Com a digitalização do agro, temos novos tempos, mas é preciso avançar para termos os dados do agro brasileiro. A construção do centro de pesquisa aplicado em IA será fundamental para darmos o primeiro passo para sermos protagonistas no agro tropical”, explica George Hiraiwa, coordenador de governança do Polo de Inovação de Londrina.

Segundo ele, o ineditismo de juntar academia, governo e empresas na chamada “tríplice hélice” da inovação vai permitir criar estruturas “pré-competitivas” para todo o setor.

Em outras palavras, bases de dados estruturados, e até mesmo softwares, a partir dos quais outras iniciativas particulares podem ser desenvolvidas.

Além de diferentes parcerias com a iniciativa privada, o consórcio também participará de um edital da Fapesp para obtenção de mais recursos a fim de concretizar o projeto.

Um modelo pré-competitivo pode disponibilizar, por exemplo, 80% da estrutura em comum e os outros 20% é o diferencial a ser desenvolvido pelos participantes.

Como analogia, este tipo de estrutura funciona como uma “estrada” pela qual muitos passam para ir ao destino que queiram. Sem uma estrada em comum, ninguém pode viajar.