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Consensos microbianos

Publicado em 29 setembro 2006

Por Eduardo Geraque, Agência FAPESP

Durante simpósio em comemoração aos 50 anos da Sociedade Brasileira de Microbiologia, em São Paulo, um dos debates girou sobre a questão da preservação das coleções de microrganismos existentes no Brasil

Nada melhor para comemorar os 50 anos da Sociedade Brasileira de Microbiologia (SBM) do que um simpósio que coloque em discussão as grandes questões da área. Uma delas é a organização e a conservação das coleções microbiológicas.
O assunto foi considerado fundamental pelos participantes do Simpósio Microbiologia no Brasil, realizado em comemoração aos 50 anos da Sociedade Brasileira de Microbiologia (SBM), nesta quinta-feira (28/9), em SP.
O debate foi feito sobre um documento prévio escrito por um grupo especialmente designado pela diretoria da SBM para essa finalidade.
O Consenso em Coleções de Culturas de Microrganismos estará durante meses (o período ainda não foi definido) no site da instituição para que todos possam opinar. Apenas depois dessa espécie de audiência pública é que o documento será fechado.
"Esse é um texto que, em princípio, será aceito por todos. É um consenso entre os membros da sociedade", disse Lara Sette, curadora da Coleção Brasileira de Microrganismo de Ambiente e Indústria (CBMAI) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), à Agência Fapesp.
Segundo Lara, a necessidade de ter um guia de como cuidar de uma coleção surgiu da experiência da SBM no assunto.
No dia-a-dia do trabalho como curadora, a doutora em Ciências de Alimentos afirma que viu muitas coleções brasileiras que nem mereceriam receber essa denominação.
"Muitas vezes são coisas realmente básicas feitas de forma errada, como a correta identificação das amostras", explica. Lara conta que certo dia recebeu dez tipos de microrganismos para que fossem depositados no CBMAI e que 50% das amostras estavam com a identificação errada "em nível de gênero e não de espécie".
Se de um lado os microbiologistas presentes no simpósio em SP afirmaram que muitas vezes faltam desde taxonomistas até políticas institucionais voltadas para as coleções — em alguns locais o acervo parece que pertence muito mais ao pesquisador do que à instituição em que ele trabalha —, o encontro serviu para mostrar que avanços foram feitos no âmbito da relação com o governo nos últimos meses.
Ao mesmo tempo em que existe mais apoio, muitas vezes com recursos financeiros, as vozes das sociedades científicas também estão sendo mais ouvidas.
Um exemplo vem do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), que está preparando um centro em que serão depositadas amostras microbiológicas relacionadas com pedidos de patentes.
Outra medida, que ajuda não apenas a pesquisa de forma geral como também reforça a importância das coleções científicas, foi anunciada no início do mês: os pesquisadores que necessitam fazer coletas científicas para estudos exclusivamente taxonômicos, botânicos ou zoológicos não precisam mais pedir uma série de autorizações.
"Em síntese, voltamos para a legalidade", resumiu Lara.
Mais informações sobre os documentos debatidos no simpósio da SBM: http://www.sbmicrobiologia.org.br.
(Agência Fapesp, 29/9)