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Conhecimento orgânico

Publicado em 25 novembro 2008

Por Fábio de Castro

Agência Fapesp

Para compreender a região amazônica como uma entidade viva é preciso integrar o conhecimento sobre o Bioma, afirma a organizadora da Conferência Internacional Amazônia em Perspectiva

Para integrar a Amazônia como uma entidade viva é preciso integrar os estudos realizados no bioma. Por isso, segundo Rita Mesquita, pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e coordenadora da Conferência Internacional Amazônia em Perspectiva, é fundamental articular a pesquisa realizada nos três grandes programas que estudam o bioma.

O encontro, encerrado na quinta-feira (20/11), reuniu em Manaus mais de mil pesquisadores do Programa de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA), da Rede Temática em Modelagem Ambiental da Amazônia (Geoma) e do Programa de Pesquisa em Biodiversidade (PPBio).

"O evento foi uma tentativa de integrar os três programas a partir do intercâmbio de resultados. Isso é fundamental, porque se vamos integrar a Amazônia como entidade viva, precisamos articular esses estudos", disse Rita à Agência Fapesp.

Segundo a pesquisadora, que faz parte do comitê organizador do LBA, os cientistas perceberam a necessidade de criar um espaço público no qual os estudos de diversos enfoques disciplinares possam se integrar.

"Não é possível entender os ciclos, processos e fenômenos biológicos sem entender a biodiversidade, que, por sua vez, tem um papel crítico na formação de nuvens, na reciclagem de nutrientes, na decomposição e assim por diante. Essa visão de múltiplos enfoques é necessária porque a Amazônia é um grande sistema integrado", disse.

Segundo ela, a expectativa é que a reunião, que por quatro dias levou a Manaus pesquisadores de universidades e instituições de pesquisa de diversos países, possibilite a formação de novas parcerias.

"Esperamos que os cientistas aproveitem a oportunidade para realizar novas parcerias de estudos. E seria melhor ainda se esse espaço público gerasse novos programas, com novas perguntas científicas, que permitam o trabalho conjunto de físicos, geógrafos, modeladores e biólogos", indicou.

Outro objetivo, de acordo com a pesquisadora, é criar espaços onde os cientistas possam ser ouvidos pelos formuladores de políticas públicas e possam entender a demanda de conhecimento desses últimos. "Isso é um grande desafio. Esse espaço ainda não existe em nenhum dos três programas", disse.

O LBA produziu diversos avanços no conhecimento sobre os ciclos biogeoquímicos e sobre os padrões de uso da terra. O programa agora está iniciando sua segunda fase.

"Esperamos que, a partir de agora, o LBA passe a se preocupar mais com a transformação desse conhecimento em políticas públicas. Para isso, vamos procurar integrar os pesquisadores atuais com cientistas sociais e formuladores de políticas públicas, aplicando o conhecimento da ciência básica", disse.

Segundo Rita, o programa também agregará um grupo maior de biólogos. “Ainda há muita ciência básica a ser feita, mas ela precisa ampliar seu escopo. Queremos ampliar nossa base de conhecimento sobre fatores socioeconômicos e legais, além de tratar mais profundamente de políticas públicas e dos impactos desses fatores sobre os processos ambientais que estão acontecendo na Amazônia. Entendemos que muitas dessas políticas e vetores socioeconômicos são os responsáveis pelas mudanças na dinâmica de uso da terra que temos registrado", disse.

(Agência Fapesp, 24/11)