Notícia

Fundep - Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa

Conhecimento imprescindível

Publicado em 02 agosto 2007

 "Tal como a qualidade foi, no fim do século 20, referência para o progresso da indústria brasileira e, hoje, de referência virou pré-requisito, a inovação tecnológica é o componente que definirá as regras do jogo no século 21. E isso só é possível com o esforço das universidades e institutos de pesquisa."

As palavras de Cláudio Vaz, presidente do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), destacaram a importância da inovação tecnológica aos cerca de 200 representantes da iniciativa privada e das principais universidades e instituições de pesquisa do país, na manhã desta quarta-feira (1º/8), durante o seminário de abertura da Feira de Negócios em Inovação Tecnológica entre Empresas, Centros de Pesquisa e Universidades — Inovatec 2007, na capital paulista.

O evento, que cria um ambiente de negócios propício à aproximação das ofertas dos centros de pesquisa às demanda dos setores industriais, teve início um dia após a divulgação, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), da nova edição da Pesquisa de Inovação Tecnológica (Pintec), o principal termômetro do desenvolvimento do setor.

Hugo Borelli Resende, presidente da Associação Nacional de Pesquisa, Desenvolvimento e Engenharia das Empresas Inovadoras (Anpei) e cientista chefe de desenvolvimento tecnológico da Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer), comentou os resultados da pesquisa.

Segundo ele, apesar de o número de indústrias inovadoras no país ter crescido 8,4%, e de isso ter ocorrido em grande parte por conta do aumento do número de empresas industriais no Brasil (com 10 ou mais pessoas ocupadas) — que passou de cerca de 84,3 mil no triênio 2001-2003 para 91 mil em 2003-2005 —, a taxa de inovação de produtos e processos continuou praticamente a mesma, na casa dos 33%, como noticiou a Agência FAPESP.

"O que mais chama a atenção é que, na Pintec 2003, do universo de pouco mais de 28 mil empresas inovadoras, apenas 1,2 mil declararam realizar pesquisa e desenvolvimento de maneira contínua. E esse número é praticamente o mesmo na Pintec 2005", apontou Resende. "A questão da falta de continuidade nas atividades de P&D, a raiz da inovação, precisa ser o centro das discussões nas empresas."

José Ricardo Roriz Coelho, diretor do Departamento de Competitividade e Tecnologia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), ilustrou as taxas de inovação registradas pela indústria brasileira — que passou de 33,3% nos anos de 2001-2003 para 33,4% no triênio 2003-2005 —, com resultados preliminares de um estudo conduzido pela Fiesp que mensurou o conhecimento das empresas industriais paulistas com relação às linhas de financiamento das principais agências de fomento do país.

"Essa modesta evolução nas taxas de inovação pode ser explicada pela falta de conhecimento sobre as linhas de financiamento disponíveis. Segundo nosso levantamento, apenas 37% das empresas industriais paulistas conhecem as principais instituições ligadas ao financiamento à pesquisa para a inovação, como a Finep e a FAPESP, o que justifica a realização da Inovatec", disse Coelho.

Segundo ele, apenas 5% das empresas paulistas analisadas afirmam estar capacitadas a utilizar os instrumentos de incentivo à inovação disponíveis, o que faz com que cerca de 70% das atividades inovativas paulistas sejam financiadas com recursos do fluxo de caixa das empresas.

"O levantamento é resultado de questionário enviado a mais de 5 mil empresas industriais instaladas no Estado de São Paulo. Os dados completos do trabalho serão publicados ainda esta semana no site da Fiesp", disse Coelho, que também é diretor-superintendente da Suzano Petroquímica, à Agência FAPESP.

Roberto Nicolsky, diretor da Sociedade Brasileira Pró-Inovação Tecnológica (Protec), disse que, mais do que propiciar a disseminação da cultura de inovação no país, eventos como a Inovatec permitem a realização de contatos efetivos entre os pesquisadores e o setor produtivo, permitindo que o conhecimento gerado em laboratórios chegue mais rapidamente ao mercado. Essa integração só ocorre no plano individual.

Dificilmente se consegue estabelecer uma parceria no plano institucional. Portanto, temos uma lacuna para a criação de novos mecanismos de ação que estejam incluídos em uma agenda comum compartilhada por ambas as partes. Nesse sentido, contamos com um terceiro ator, o governo, que deve fazer o papel de facilitador com um ambiente legal favorável à essa cooperação", disse.

Nicolsky anunciou a realização de outros três eventos semelhantes promovidos pela Protec, como extensão dos Encontros Nacionais de Inovação Tecnológica (Enitec). Segundo ele, os encontros ocorrerão até o fim do ano e serão divididos em três setores considerados prioritários na Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior (Pitce): fármacos e medicamentos; semicondutores e eletrônica industrial; e máquinas e equipamentos.

Mais informações sobre os eventos podem ser obtidos no site da Protec, em www.protec.org.br/enitec.asp.

Conhecimento em riqueza

A Inovatec 2007 contava, até a manhã de quarta-feira (1º/8), com pouco menos de 1 mil inscritos. Segundo a organização do encontro, promovido pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), de cada cinco participantes, apenas um representava a comunidade científica.

Como parte das apresentações é destinada à divulgação das ofertas e demandas tecnológicas das indústrias em diferentes setores — que buscam soluções junto às universidades e institutos de pesquisa de todo o país —, o ideal, segundo os organizadores do evento, é que os pesquisadores permaneçam em maior volume. Nos seminários de demanda, os setores empresariais apresentam necessidades tecnológicas em busca de parcerias com o setor acadêmico.

"Como o objetivo da Inovatec é transformar conhecimento em riqueza, e sabendo que isso se dá pela integração da inteligência das universidades e institutos de pesquisa com o setor produtivo, o centro do encontro são os professores, pesquisadores e estudantes", disse Cláudio Vaz, presidente da Ciesp.

Na tarde de quinta-feira (2/8) ocorrerão apresentações de demandas tecnológicas da indústria automotiva e de autopeças, petroquímica, química e de plásticos e siderúrgica, metalúrgica e fundição. Na sexta-feira (3/8) será a vez de conhecer os gargalos de áreas como meio ambiente e saneamento; indústria de máquinas e equipamentos; indústria farmacêutica; indústria eletroeletrônica, tecnologias da informação e telecomunicações.

As inscrições para o evento, que ocorrerá até sexta-feira (3/8), podem ser feitas gratuitamente na entrada do Centro de Eventos São Luiz, na rua Luís Coelho nº 323, no bairro de Cerqueira César.

Mais informações: www.feirainovatec.com.br

Fonte: Agência FAPESP