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Correio Popular

Conhecimento amplia o viver

Publicado em 14 julho 2011

O Centro de Memória (CMU) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) irá digitalizar, ainda no segundo semestre deste ano, duas séries documentais bastante acessadas no setor de arquivos históricos do órgão: os Inventários post-mortemltestamentos, que datam de 1850 até 1940, e as Ações de liberdade de escravos, datadas de 1871 a 1888, ambas do Tribunal de Justiça da Comarca de Campinas. "A ideia é disponibilizar tudo na internet", explica o historiador Fernando Antonio Abrahão, responsável pelo setor.

O objetivo do trabalho, de acordo com a diretora do CMU, Maria Carolina Bovério Galzerani, é facilitar o acesso ao conhecimento de toda a sociedade em diferentes regiões do País, e não apenas em Campinas.

A digitalização faz parte de um projeto voltado para a preservação e divulgação do acervo documental do centro por meio eletrônico, aprovado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

A verba disponibilizada pela Fapesp foi de R$ 217.077, voltada para a aquisição de equipamentos e contratação de serviços, e de mais R$ 32.561 de reserva técnica.

Segundo explica Maria Carolina, trata-se do maior auxílio destinado por uma agência de fomento à pesquisa durante os 26 anos do Centro de Memória.

Um dos equipamentos a serem adquiridos com a verba será um scanner planetário. A máquina permite que documentos sejam escaneados sem ser danificados, uma vez que ela faz a leitura do material como se fosse filmado, sem contato com o original. .

Uma multifuncional a laser, adquirida em regime de comodato, também integrará o rol de equipamentos do CMU. Com ela, será possível, inicialmente, digitalizar artigos de jornais e revistas que integram o acervo de 67.312 recortes da Hemeroteca, que também serão disponibilizados on-line.

"Recebemos uma demanda não só de pesquisadores, mas da população. Muitas pessoas vêm aqui saber mais sobre o seu passado, às vezes em busca de dados sobre a própria família, informações de imigrantes. E essa ligação com a cidade é muito importante. Queremos levar a história de Campinas para fora dos muros da universidade", explica Abrahão.

"O Centro de Memória vem também resgatar a importância do memorialista, já que muitas vezes por meio dele é possível se chegar à fonte dos fatos históricos. Essas pessoas são extremamente importantes para a preservação da história", afirma Henrique Annunziata, historiador do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico de Campinas (Con-depacc).

De acordo com o historiador, o Centro de Memória é uma importante fonte de consulta nos processos de tombamento de bens da cidade. E toda a população pode ter acesso aos documentos disponibilizados pelo CMU, mediante um cadastro. "A memória alarga a dimensão do viver, você se encontra em uma comunidade mais ampla", afirma a diretora Maria Carolina.