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Biólogo

Conhecendo a Amazônia: Aproximando a floresta de quem não vive nela

Publicado em 21 novembro 2019

No mês passado, uma pequena peça de papelão com uma lente acoplada que, quando presa no smartphone, transforma o aparelho em microscópio causou verdadeira comoção no Centro de Tecnologia Aplicada, escola situada em Padre Miguel, no Rio de Janeiro.

“A escola parou, desde alunos e funcionários até a direção”, conta Aline Soares Magalhães, professora de biologia e química. “Os estudantes ficaram alucinados ao enxergar a pele em escala microscópica”, conta.

Em aulas subsequentes, o que parece abstrações de livros didáticos — como as células — ganhou, pela primeira vez, contornos de realidade. Um benefício adicional foi transformar o celular, motivo permanente de distração, em equipamento científico de aprendizado ausente na maioria das escolas públicas brasileiras.

Amazônia Secreta

O microscópio de papelão havia chegado às mãos da professora alguns dias antes durante uma oficina do Inspira Ciência, programa de formação de docentes da educação básica realizado pelo Museu do Amanhã e pelo British Council, com patrocínio da IBM.

A oficina foi conduzida por Filipe Oliveira, biólogo e fundador do Conector Ciência, uma microempresa carioca que ensina atividades de baixo custo para professores. O objetivo, segundo ele, é mostrar que “ciência e tecnologia podem ser feitas por todos em qualquer lugar”.

Em escolas, os próprios estudantes podem desmontar leitores de CD para montar microscópios, o que ele denomina de hackeamento.

Novos modos de conhecer a Amazônia

Amazônia Selvagem – Onça pintada

A atividade que reuniu professores no Museu do Amanhã em agosto foi uma entre diversas outras movidas pela preocupação de revelar o universo da Amazônia aos estudantes e ao público que conhece o bioma apenas por conceitos equivocados, como o de que a região é o pulmão do mundo. Oliveira realizou as oficinas depois de voltar de uma expedição percorrendo o Amazonas de Belém a Manaus, na qual adquiriu material físico disponível em mercados, como plantas e animais, e colecionou histórias locais relacionadas com a sustentabilidade.

Com o aparato, desenvolvido por ele, os participantes observaram partes de uma seringueira e, ao mesmo tempo, aprenderam que na comunidade de Jamaraquá, na Floresta Nacional do Tapajós, em Belterra, no Pará, as mulheres incrustam o látex com sementes coloridas para fazer bijuterias vendidas a valores muito acima do alcançado pela própria borracha. “Nosso objetivo é sair da abstração do ‘oceano verde’ e entrar nas particularidades do ambiente e dos povos que vivem lá”, conta Oliveira.

>> Para ler o artigo completo, acesse o link do site da Revista Fapesp > Novos modos de conhecer a Amazônia